Com Any Gabrielly e Giulia Be, o filme nacional aborda o luto, a amizade e os desafios de seguir em frente com sensibilidade, leveza e personagens cativantes.
Olá, meus queridos. Hoje nossa conversa tem diversos elementos que eu amo: Cinema Nacional, trama envolvente, personagens cativantes… E tudo isso amarrado com uma reflexão central sobre viver. Preparem os lenços e vamos falar sobre “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”.
Acredito que a maioria das relações de amizades são o resultado da junção de duas pessoas opostas. Confuso, né? (risos) Vamos lá: tem como dar certo uma pessoa metódica e organizada conviver com uma pessoa desmemoriada e desorganizada? Claro que não, mas amizades são assim a união de pessoas improváveis. Em “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” teremos um exemplo disso.
De um lado, temos a Gabi (Any Gabrielly), focada nos estudos, cautelosa, que vez ou outra se permite um rolê entre amigos, mas nada que vá atrapalhar o pré-vestibular. Adivinha quem consegue convencer ela de dar rolês? Exatamente a sua amiga Julia (Giulia Be). Estudar? Sim, mas isso não a impede de emendar um after, se jogar de cabeça nas aventuras e ser super extrovertida. Uma amizade que começou lá na infância e se fortaleceu ao longo dos anos, uma sendo o apoio da outra. O que elas não estavam esperando é que um acidente fatal mudaria tudo.
Independente da idade, nós não estamos prontos para perder alguém. É uma temática delicada, necessária, mas convenhamos que não é uma abordagem fácil de se vender. Nisso eu acho essa obra muito corajosa – tanto que quero ler o livro. Não é comum termos filmes que conversem com o público mais jovem sobre um tema tão importante!
Inclusive, me fez refletir de outras formas de “luto” que nós temos, não só no sentido do falecimento de alguém. As vezes terminar uma relação de longa data, encerrar um trabalho ou projeto. Obviamente, não existe comparação do sentimento entre um e outro, mas são situações que acabam acontecendo nas nossas vidas. Por exemplo: uma amizade que fazia parte da nossa rotina, que hoje não é mais presente. Não é por causa da pessoa ter falecido, mas por algum outro motivo, não faz mais parte da sua realidade. É um sentimento de perda, de ausência.

Me emociona ter uma obra nacional – tanto na literatura, quanto agora nas telonas – proporcionar essa reflexão com leveza. É muito triste, sim, quando alguém que a gente ama nos deixa – e não estou aqui para fazer um discurso de “não fica assim, bola pra frente”. Não, nada de “felicidade tóxica” aqui. Existem processos e processos. Tem pessoas que lidam com a dor da perda de uma forma mais racional. Mas tá tudo bem quando há necessidade de ajuda, de uma rede de apoio e até mesmo de terapia para passar por esses momentos.
“As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” consegue, em poucos minutos, conquistar o espectador. A gente sabe que algo ruim vai acontecer: tá no título, sinopse, trailer, etc. Mas somos tão cativados na introdução que ficamos com aquela esperança de que as coisas não deem errado. Sabe quando falamos com a tela: “não entra aí!” É bem nesse sentido… Por mais que saibamos, não queremos que o trágico ocorra. Admito que não sei a quem parabenizar por essa conexão quase instantânea que temos com o longa – se é direção, roteiro, elenco…
Em outra conversa nossa, comentei o quanto não consegui me conectar com o personagem ou com a história – como em “Dentro da Baleia”. Aqui, temos um extremo oposto. Por mais que seja uma trama voltado ao público adolescente, ela conversa com todas as idades. Impossível você não se conectar com algum dos personagens. Falando nisso, que elenco incrível!

O que mais temos em filmes americanos são pessoas mais velhas interpretando papéis mais jovens (olá, “Dear Evan Hansen”!). Aqui não temos essa estranheza. Tanto o elenco mais jovem quanto os adultos são muito cativantes, nossa! Fora que parecem estar em total sintonia em cena. Não quero entrar em spoiler, mas tem um casal nesse filme que eu super queria sentar para um café da tarde e ouvir suas histórias! Sério, gente, que filme lindo.
Tudo no filme funciona muito bem. No núcleo dos pais, a gente sente a “dualidade” na entre os responsáveis. Enquanto um tenta amenizar a dor causada pela perda, o outro tenta trazer para a realidade de que a vida continua, que é necessário estudar, que as provas vão chegar. No núcleo escolar, tem um grupo de pessoas que compreende a personagem. E tem os babacas – como sempre – que vão usar da dor para tirar proveito da situação.
Para quem gosta de ler, vai perceber que em um momento ou outro, tem aquele toque de “no livro, talvez isso tenha mais tempo para ser trabalhado profundamente”.

Vocês sabem o quanto me tornei amante do nosso cinema. Esse ano, tive o prazer de assistir obras incríveis, em diversos temas: romance, drama, suspense, comédia… Vai ser difícil fazer em ranking dos melhores em dezembro. Mas ouso dizer que “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” vai ficar em uma boa colocação!
O que mais eu posso dizer a vocês? Anotem na agenda, lá no finalzinho de outubro, assistam “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”. Vai na minha, você não vai se arrepender. Aliás vou fazer que nem a Julia e deixar um desafio: vá e leve um amigo seu. Quando subirem os créditos, me contem o que acharam. Um abraço! Thi.
Nota: 




Sinopse: A jovem Gabriela Muniz precisa cumprir uma lista de 10 desafios deixados por sua melhor amiga, Júlia, após um acidente trágico. A lista inclui tarefas como saltar de paraquedas, abraçar desconhecidos, aprender a dançar e cantar para uma multidão.
Data de lançamento: 29 de outubro de 2026.
Direção: Diego Freitas
Distribuição: Paris Filmes
Baseado no Livro: “As Dezvantagens de Morrer Depois de Você” (2019)
Autor: Fernanda de Castro Lima



