“Ao Sabor das Cinzas” surpreende, mas deixa a desejar

O drama familiar brasileiro aposta em uma narrativa experimental e provoca reflexões sobre conflitos e aparências, mas deixa a sensação de que poderia aprofundar melhor seus temas.

Olá, meus queridos! Como vocês estão? Estamos de volta para mais uma conversa sobre filmes. Para minha alegria, mais um título nacional! Dessa vez, uma película para quem curte assistir algo mais “diferentão”. Sabe aquelas obras que fazem o oposto do convencional e conseguem proporcionar uma experiência interessante? Então pega um cafezinho e vamos falar de “Ao Sabor das Cinzas” (Embaúba Filmes).

Vamos acompanhar uma típica história de família dividida, onde – ao longo do ano – os integrantes se distanciam de todas as formas possíveis, mas ao fim do ano, fingem união para ter a “foto da família”. Afinal, nas festas de Natal e Ano-novo, as diferenças ficam de lado, ou nem tanto. De um lado uma irmã conservadora, da “moral e bons costumes”, que não consegue disfarçar o desprezo por sua irmã que tem uma relação com outra mulher. O que elas não esperam é que o falecimento do patriarca que, aparentemente, era o elo que as unia, traria verdades à tona.

Tem filmes que, independente da situação, prendem a atenção do espectador. Agora, quando temos uma narrativa mais intimista, existe a necessidade de uma atenção maior. Inclusive, tenho a sensação de ser uma obra experimental – ao menos foi algo novo pra mim. Possivelmente essa seja uma questão que divida o público: tem pessoas, tipo eu, que gostam de vivenciar coisas novas, mas tem o público que não vai “pegar a vibe” do filme, considerando uma narrativa longa ou muito abstrata.

“Ao Sabor das Cinzas” me levantou diversos questionamentos: as dinâmicas familiares com suas diferenças políticas e sociais; como as pessoas imprimem uma imagem, mas que a realidade é bem obscura; o custo de manter essa imagem “comercial de margarina”. Confesso que queria ter visto essas questões de uma forma aprofundada, em vários momentos a sensação que fica é que o roteiro busca trazer algum tema, ou mexer em algum “fantasma” dessa família, mas, logo na sequência, já parte para uma próxima situação.

Eu comprei a proposta do filme: achei interessante, mas sei que não será uma obra que agradará todo mundo. Uma das coisas que mais gostei foi a forma de conectarem os personagens em cena durante ligações telefônicas. Ao invés de deixarem cada personagem em um ambiente – seja intercalando os planos, ou dividindo tela – o diretor os coloca no mesmo cenário, como se estivessem conversando quase frente a frente. Gostei muito dessa técnica.

Admito querer mais profundidade em alguns temas, situações, e ver isso ser trabalhado de uma forma mais elaborada, com mais tempo. O longa, infelizmente, não entrega esse desenvolvimento. No entanto, ao final temos um saldo positivo. Abracei o que me foi proposto e pude ter uma experiência satisfatória, diferente do que é comercializado normalmente.

Então, se você gosta de assistir coisas novas, já coloca na sua agenda para assistir “Ao Sabor das Cinzas”. Se não é muito seu estilo, dá uma chance, vai que você descubra algo diferente, e que lhe faça gostar. Como entusiasta do cinema brasileiro, eu sempre apoio e peço para que valorizem as obras realizadas nacionalmente. Aproveitando, temos outra obra chegando às telonas – e já tem um papo aqui no site sobre ela – As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você.

De uma forma ou outra: Viva o Cinema Nacional! Um forte abraço, queridos. Thi.

Nota: ⭐⭐

Sinopse: Duas irmãs, Bethânia e Laura, se reencontram para tratar de um assunto familiar. Elas seguem viagem pelas estradas do agreste pernambucano em busca do corpo do pai, Seu Lauro. Em casa, a filha de Bethânia edita um vídeo em que vivos e mortos se confundem em um jogo de silêncios e revelações. Um realismo fantástico sobre o colapso da comunicação e o luto transmitido em tempo real.

Data de lançamento: 22 de outubro de 2026
Direção: Taciano Valério
Produção: Carla Francine
Roteiro: Taciano Valério / Vanderson Santos/ Carla Francine
Montagem: João Maria (ACC)
Fotografia: Breno César
Direção de Arte: Carla Sarmento
Som: Giancarlo Galdino
Empresa produtora: Autorias Filmes
Empresa(s) coprodutora(s) : Casa de Cinema
Distribuidora: Embaúba Filmes
Elenco: Everaldo Pontes Verônica Cavalcanti Maria Lima Isadora Gibson Bruno Goya Geyson Luiz Buda Lira Rizonir Silva Guilherme Milleron Rita Assis Rosberg Adonay Clécio Vila Nova Adélio Lima Aretha Luna Maria das Nuvens