Nova versão dirigida por Maggie Gyllenhaal revisita um dos mitos mais icônicos do cinema para discutir identidade, poder e violência contra as mulheres no mundo contemporâneo.
A Noiva!: Na Chicago da década de 1930, o cientista pioneiro Dr. Euphronious traz uma jovem assassinada de volta à vida para se tornar a companheira ideal do monstro de Frankenstein. O que acontece a partir desse experimento foge completamente do controle de todos os envolvidos e abre caminho para uma história muito mais complexa do que se poderia imaginar.
A premissa remete diretamente a “A Noiva de Frankenstein”, lançado em 1935 como sequência do clássico “Frankenstein” de 1931, eternizado pela interpretação de Boris Karloff. O filme se tornou uma das narrativas mais icônicas da história do terror e, ao longo das décadas, inspirou inúmeras releituras e homenagens.
Ainda assim, confesso que fui surpreendida mais do que imaginava pelo longa dirigido por Maggie Gyllenhaal. “A Noiva!” apresenta uma narrativa intensa, profunda e, ao mesmo tempo, bastante inusitada. O filme se revela uma experiência necessária, especialmente em um momento em que o mundo vive uma escalada preocupante de feminicídio e violência contra mulheres.

O roteiro propõe reflexões muito atuais sobre o papel feminino na sociedade e, principalmente, sobre a forma como as capacidades das mulheres são constantemente subestimadas. O elenco abraça essa proposta com entrega absoluta. Já Maggie Gyllenhaal demonstra competência, firmeza e segurança em seu segundo trabalho como diretora, conduzindo a narrativa com sensibilidade e precisão.
Mesmo ambientado décadas no passado, o filme nos obriga a olhar para o presente. A história revela como as mulheres eram tratadas naquela época, mas também evidencia o quanto muitas dessas estruturas de opressão ainda persistem. A crítica é necessária e a reflexão, urgente.
Os protagonistas entregam uma experiência verdadeiramente marcante. Christian Bale está impecável como Frankenstein. Mesmo sob uma pesada camada de maquiagem, o ator consegue transmitir cada nuance emocional do personagem. Em vários momentos, me peguei sorrindo junto dele. O monstro, paradoxalmente, se mostra gentil, sensível e contido em diversas situações. É uma interpretação brilhante.

Jessie Buckley também impressiona desde sua primeira aparição. Sua personagem cresce gradualmente ao longo do filme, em um arco que o público acompanha com curiosidade e torcida. A narrativa exige muito da atriz, e ela responde com intensidade em cada cena.
Outro elemento que chama atenção são os momentos musicais presentes ao longo da história. Longe de interromper o ritmo do filme, eles fortalecem a narrativa e ampliam o envolvimento emocional com os personagens. O resultado é uma jornada envolvente sobre amor, dor, liberdade e identidade.
“A Noiva!” foi, para mim, uma grata surpresa. O longa consegue resgatar um clássico do terror e, ao mesmo tempo, utilizá-lo para discutir questões profundamente contemporâneas. No final, a pergunta que fica não é apenas sobre monstros ou experimentos científicos, mas sobre quem estamos nos tornando enquanto sociedade.
Que tipo de mundo estamos construindo? E de que lado escolhemos estar em um cenário que ainda insiste em diminuir, silenciar e demonizar as mulheres?
Assista ao filme e tire suas próprias conclusões. Mas espero que, ao sair da sessão, fique também a reflexão sobre a importância de transformar discursos de ódio em caminhos de respeito e mudança.
Nota: 



Sinopse: Na Chicago da década de 1930, o cientista pioneiro Dr. Euphronious traz uma jovem assassinada de volta à vida para ser uma companheira para o monstro de Frankenstein. O que acontece em seguida está além do que qualquer um deles poderia ter imaginado.
Data de lançamento
Data de lançamento: 5 de março de 2026 (Brasil)
Diretora: Maggie Gyllenhaal
Autora: Mary Shelley
Duração: 2h 6m
Gêneros: Terror, Romance, Ficção científica, Suspense



