A Vingança de Charlie expõe o peso do trauma, a lentidão da cura e a urgência de olhar para as vítimas com mais humanidade
A sinopse pode parecer simples, uma voluntária que trabalha em uma linha telefônica de apoio ao trauma, é alvo de um assediador mascarado, mas o filme aborda um tema muito mais delicado que esse. A Vingança de Charlie aborda violência, perseguição, e como as vítimas de abusos sexuais lidam com o trauma.
O longa tem uma barriga que me incomoda em certo momento, mas não é algo que não se justifique, ele vai mostrando a vida de Charlie após o trauma de ser abusada pelo “Cavalheiro”, estuprador e assassino em série que usa a gravação do choro de um bebê para abordar e atacar suas vítimas. Esse pseudônimo é também uma crítica a como a sociedade aborda esse tipo de assunto de forma a nunca pensar nas vítimas. Imagina você ter sido abusada sexualmente e descobrir que as pessoas chamam o abusador de “cavalheiro”?! Eu não sei o quanto isso seria perturbador.

A narrativa do filme é lenta e quase claustrofóbica, afinal de contas, depois do abuso, Charlie nos leva a uma rotina monótona, inquietante e cheia de tensão, mas é uma tensão sensível, vista pelo olhar de quem sobrevive como consegue, como o trauma permite. E isso, o filme mostra com clareza. Charlie sobrevive numa rotina isolada do mundo, tentando de alguma forma acolher outras pessoas via telefone em uma linha de apoio a traumas. Simbólico e ao mesmo tempo irônico, visto que claramente ela não superou o seu.
Infelizmente, na metade o filme já é possível saber, ou ao menos desconfiar da virada do filme, e então a impressão é que nada acontece de forma relevante. O encontro dela com abusador não nos causa o ápice necessário para toda aquela demora a acontecer. E o que antes era justificável, agora se torna entediante.

O desfecho é esperado, e uma cena simples no inicio, com um foco desnecessário, entrega o final que já estávamos esperando desde o começo. Entretanto, Charlie finaliza com dignidade, coerência, e se apropriando da própria história, justificando o nome do filme, e nos inspirando a entender de forma crua todo o processo de cura que ela nos apresenta ao longo do filme se forma devagar.
A Vingança de Charlie não é apenas sobre um mascarado a solta aterrorizando mulheres, é sobre a importância de olharmos as vítimas com mais humanidade e atenção. E sobre ver força além da dor.
Nota: 


Sinopse: “A Vingança de Charlie” (Sorry, Charlie), suspense de terror dirigido por Colton Tran. O filme acompanha Charlie, uma voluntária de uma linha de apoio emocional que passa a ser aterrorizada por um misterioso perseguidor conhecido como “O Cavalheiro”, que utiliza métodos perturbadores para atrair suas vítimas. À medida que a ameaça se intensifica, a protagonista é obrigada a confrontar seus medos e traumas em uma luta desesperada pela sobrevivência.
O filme poderá ser visto com exclusividade no Filmelier+, a partir de 22 de janeiro.
A Vingança de Charlie
Gênero: Terror/Suspense
Duração: 1h15 min
Diretor: Colton Tran
Gêneros: Terror, Suspense
Música composta por: Alexander Taylor



