Nova animação da Disney Pixar tem história interessante, mas que parece só existir para encher o catálogo do streaming.
Nessa nova animação da Pixar, uma amante dos animais, vai usar de uma tecnologia um tanto peculiar. Ela coloca a sua consciência em um castor robótico, com a intenção de descobrir os mistérios do mundo animal! Mas e aí, será que a Pixar ainda tem o seu jeito especial de produzir animações? É sobre o que vamos conversar hoje.
Hello, Dropzeiros de plantão! Não sei para vocês, mas tem bastante tempo que algo do estúdio me empolga em correr para as salas de cinema. Já não é de hoje que sinto que a “Dona Disney” vem perdendo seu jeito unicamente mágico de criar. Bom, se aconchega do lado daí e bora trocar essa ideia.
Há quem diga que seja saudosismo da minha parte. Mas quando vejo as produções de alguns anos atrás a sensação é que eles eram mais ousados. Com animações marcantes que conseguem dialogar tanto com os pequenos quanto os “grandinhos”. Parece que o medo do cancelamento que a internet pode gerar é uma forma de barrar grandes histórias.

Confesso que, quando assisti ao trailer para o DPZ no Cinema, fiquei genuinamente com medo do que viria dessa nova produção. Primeiro, ela não tem cara de um filme da Pixar. Estratégia comercial, talvez? Outra que a história parece uma grande colcha de retalhos. Quando você lê a sinopse ou assiste ao trailer, não sabe o que esperar, ou o que o filme quer contar exatamente.
Felizmente, tive uma boa sensação ao sair do cinema. Mas, ao mesmo tempo, com o sentimento de que estão dando mais atenção em dar continuidade em franquias lucrativas, do que se esmerar em produzir uma animação genuinamente inédita. Que dirá marcante. Algo como:
– “Galera precisamos fazer com que ‘Toy Story 5’ seja um sucesso de bilheteria, bora investir nessa franquia!”
– “Mas e ‘Hoppers’? [nome original de Cara de Um, Focinho de Outro]”
– “Ah, verdade… Tem alguém que não esteja com muita demanda aí para produzir esse?”
Voltando. É uma animação ruim? Definitivamente não. Mas corre o risco de acontecer que nem “Elio” (2025), “Elementos” (2023) e “Lightyear” (2022): virar mais um filme para o catálogo do streaming. Acho que isso é pior do que se fosse uma “animação ruim”. Uma ideia boa, mas que não foi tão bem lapidada, um filme que vai acabar virando só mais um no acervo. Se não render nas bilheterias, ao menos, eles conseguiram criar personagens fofinhos para vender produtos de merchandising.
Voltando ao filme, ele aborda questões muito relevantes: como crianças lidam com seus sentimentos; a importância de cuidar e preservar os animais e a natureza; a importância de uma rede de apoio saudável; construir hábitos saudáveis… mas, agora, sem profundidade, que antigamente as animações da Pixar conseguiam trazer.

“Cara de Um, Focinho de Outro” está longe de ser um filme ruim. Porém, a sensação é que ele tem receio de arriscar, constrói uma narrativa básica já pensando que se der errado de um lado, pelo outro vai conseguir algum lucro. Eu queria muito sair da sessão com aquele sentimento de “mano, o que foi que eu acabei de assistir”. Mas saí com o sentimento de que “ufa, pelo menos, não foi um filme ruim”. Salvo engano a última animação que me marcou do estúdio foi Soul (2020). No entanto, por causa da pandemia, saiu direto no streaming. Assistir aquela trilha numa sala de cinema seria surreal.
Sei que depois das minhas reflexões parece que é uma bomba, mas não é. É um longa que vai agradar ambos os públicos. Mas tem algumas cenas que eu fico pensando se não vão assustar muito as crianças. Mas daí eu penso: “sobrevivi aos anos 90, não vai ser um personagem malvado que vai traumatizar uma criança”. Ele tem ótimas piadas e referências, nesse início de ano e finalzinho das férias é uma ótima pedida.
Porém, entretanto, todavia, eu não consigo não analisar e refletir sobre esses pontos. Quero saber sua opinião, estou sendo muito saudosista? Ah, e no final tem uma cena pós-créditos fofinha. Queridos, espero vocês no nosso próximo encontro. Um forte abraço. Thi.
Nota: 


Sinopse: “Cara de Um, Focinho de Outro” (originalmente Hoppers), animação da Pixar, acompanha Mabel, uma jovem apaixonada por animais que usa uma tecnologia revolucionária para transferir sua consciência para um castor robótico. Ela se infiltra no mundo selvagem para se comunicar com os animais e tentar impedir que o prefeito Jerry destrua seu habitat.
Data de lançamento: 5 de março de 2026 (Brasil)
Diretor: Daniel Chong
Produtora: Pixar
Duração: 1h 45m
Gêneros: Animação, Comédia, Ficção científica, Aventura, filme familiar
Produção: Nicole Paradis Grindle



