Baby Girl, estrelado por Nicole Kidman, tem sua estreia marcada para 9 de janeiro nos cinemas brasileiros
Baby Girl, após ser aplaudido de pé no Festival de Veneza, e premiar Nicole Kidman com o prêmio de melhor atriz pela performance, não havia possibilidade alguma da minha expectativa com este filme ser baixa. Nos primeiros minutos a atriz já mostra em cena o que veremos durante o desenrolar da trama. Sim, o erotismo em que somos envolvidos muitas vezes é desconcertante, mas a dosagem é perfeita para que a história seja compreendida e apreciada.
O longa é sobre a CEO de uma empresa, que trabalha com robotização, e coloca sua carreira e família em risco quando inicia um tórrido caso amoroso com seu estagiário. Ao ver as primeiras divulgações, achei que seria uma nova versão ao estilo”9 semanas e meias de amor”, mas fui surpreendida com um filme que vai muito além do óbvio do erotismo, e faz críticas muito interessantes em como a sexualidade feminina ainda é vista de uma maneira complexa, e como o corporativismo lida com a liderança feminina.
Personagens

Nicole Kidman está maravilhosa no papel de Romy, é intrigante acompanhá-la em três performance distintas: a mãe dona de casa, a CEO de uma grande corporação, e a amante insaciável. A forma como a atriz permeia entre cada personalidade é primorosa, é possível perceber corporalmente quando ela está em cada cenário, vemos traços diferentes que não se fundem, e trazem essa atmosfera de realmente vivermos todas as diferentes facetas que ela nos apresenta. Nicole Kidman mereceu com louvor o prêmio de melhor atriz com sua performance, que vai muito além de orgasmos e cenas de sexo.
Harris Dickinson dá vida a Samuel, o estagiário, e está muito bem neste papel, que ora me parece ser apenas um conquistador, ora parece ser algo muito mais complexo do que isto. A atuação de Dickinson vai crescendo durante a trama, e ele vai nos apresentando ótimas nuances do personagem. Gosto da complexidade das emoções que ele apresenta, pois saem do clichê que estamos acostumados com este tipo de enredo.
Antonio Banderas, acostumado a dar vida a homens fortes e cheios de sexy appeal, aqui nos mostra um homem mais sereno, um pai de família apaixonado pela esposa, mas que não tem muitas ambições sexuais, mesmo quando nitidamente, ela parece querer algo a mais dele. A atuação de Banderas deu uma fragilidade ao personagem que nos cativa. É difícil não sentir pena dele em várias situações.

O trio principal está ótimo em cena, a química entre eles é maravilhosa, e isto colabora, e muito, com o desenrolar da trama. Os personagens secundários são realmente apenas um apoio, poucos se destacam, mas dão conta do recado. O elenco é um conjunto positivo.
Direção e Produção
Somente uma mulher conseguiria levar o erotismo do filme com a assertividade e ousadia que a diretora Halina Reijn levou. A narrativa escolhida foi bem construída e organizada, é possível visualizar muito bem os três principais momentos do filme. Os personagens acentuam as emoções necessárias em cada ato, nos brindando com um ápice cheio de intensidade. Mesmo que nele mergulhemos entre o desconcertante, o sensual e o desconfortável.
O estilo visual do filme permeia entre as 3 vidas da personagem Romy, que passeia pelo lado confortável da família, a dureza da empresa, e a sensualidade nos encontros entre ela o seu estagiário Samuel. Tudo isto é notável com as mudanças no figurino e no cenário de cada momento. Um dos pontos que mais me chamou atenção na cenografia.
A trilha sonora é um show a parte, o filme todo é embalado por sussurros e gemidos entre batidas envolventes. A música nos deixa completamente presos na atmosfera de erótica do filme, então cuidado para não fechar os olhos enquanto assiste, talvez o seu corpo possa entrar em um transe perigoso. Definitivamente a trilha sonora ganhou meu coração.

Conclusão
Baby Girl superou minhas expectativas quando ousou em não apresentar clichês ao falar sobre fantasias sexuais, traição, e erotismo, principalmente quando passa por sua forma mais doentia. O filme aborda temas, que ainda para muitos, são complexos, e traz uma narrativa assertiva do quanto a sociedade enxerga uma mulher que chegou ao poder, e como as regras para o feminino são diferentes. Baby Girl, vai muito além do erótico óbvio, é um mergulho fora da caixa. É audacioso, e em momento algum, perde a capacidade de nos fazer refletir. É uma crítica ao sistema, feita de uma forma muito inteligente e sagaz.
Nota: 4/5
Sinopse: Uma CEO coloca sua carreira e família em risco quando inicia um tórrido caso amoroso com um estagiário.
BABY GIRL
Gênero: Thriller/Erótica
Duração: 1h54m
Direção: Halina Reijn
Roteiro: Halina Reijn
Distribuição: A24
Data de lançamento: 9 de janeiro de 2025 (Brasil)
