CRÍTICA | “Karate Kid: Lendas” faz um mergulho pueril na nostalgia

“Karatê Kid: Lendas”, longa-metragem estrelado por Jackie Chan, Ralph Macchio, Ben Wang e grande elenco, estreia dia 08 de maio nos cinemas de todo Brasil

“Karatê Kid: Lendas” era um dos filmes que estava mais empolgada para assistir nos últimos meses. Geração dos anos 90 tem um apego afetivo grande nesta franquia. É só analisar o sucesso da série “Cobra Kai”. Quando vi trailer final, imaginei que o filme traria uma pegada  levemente mais séria que “Karate Kid” lançado em 2010, também com Jackie Chan. Tive uma surpresa quase decepcionante quando percebi que “Lendas”,  parece ter foco total em  um novo público: a nova geração.

Personagens

Este foi um dos filmes com elenco menos aproveitado que assisti nos últimos meses. Personagens carismáticos, que nos fazem ter vontade de vê-los mais em tela, saber mais sobre eles, e o motivo deles estarem onde estão, simplesmente são esquecidos. Tudo é rápido, sem conexão, e sem desenvolvimento. Eu realmente gostei muito do elenco, mas o filme realmente não nos deixa conhece-los.

Karate Kid: Lendas

Lendas

Estamos falando de Jackie Chan como Sr. Han, e Ralph Macchio como Daniel LaRusso. Dois personagens lendários, e mesmo que a intenção foi passar o bastão, faltou muita emoção no desenvolvimento destes personagens e deste contexto. Dois mestres que se unem para passar seu conhecimento para um novo lutador, e eu não consigo acreditar que o filme não conseguiu celebrar os dois como deveriam. Até mesmo na cena em que os vemos lutando juntos, parece que falta aquele algo mais. Inclusive, a coreografia desta luta poderia ter sido bem melhor. Nitidamente o jogo de câmeras mais confundiu do que ajudou.

Elenco

Ben Wang, como Li Fong, entrega boas cenas de lutas, mas falta intensidade em relação a carga dramática na qual seu personagem é inserido. Dentro  da proposta do filme, até fez bem seu papel. Não é marcante, mas pode dar sequência, caso o filme ganhe uma continuação.

Aramis Knight, para mim, foi o mais prejudicado no longa. Seu personagem, Connor Day, e seu treinador, entram e saem sem explicação, sem contexto. São assim porque são. Não existe nada que justifique seus comportamentos. E até, as poucas cenas em que eles aparecem, antes da luta final, não são suficientes para que de fato, esta luta aconteça e seja necessária. Connor poderia ser bem mais desenvolvido e explorado, uma pena que isso não aconteceu, daria uma carga dramática mais empolgante na história. E acho que ele convenceria muito bem, em vista, que até as cenas sem diálogos, ele conseguiu imprimir bem suas emoções, até mais do que o mocinho.

Karate Kid: Lendas

Apoio

Sadie Stanley, como Mia, é uma grata surpresa, a atriz traz um frescor e uma rebeldia leve para o filme, sua atuação é gostosa de acompanhar, e se conecta muito bem com a história. É uma mocinha atual e realista. Rapidamente o público se conecta com ela.

Joshua Jackson, como Victor, o pai de Mia, também traz um novo gás, é um personagem carismático, que poderia ser melhor trabalhado ao longo do filme, já que ele é um dos principais motivos para Li Fong voltar a lutar. A história dele é revelada em apenas uma conversa, e depois não se tem mais ligação com este enredo. E justamente a falta desta conexão é que acaba fazendo o filme não nos causar uma emoção mais profunda.

Wyatt Oleff e Ming-Na Wen, único amigo, e mãe de Li Fong, simplesmente são dois figurantes, mesmo tendo funções importantes dentro da história. Eles simplesmente pouco aparecem, e quando isso acontece, é rápido e sem uma intenção real definida.

Direção e enredo

Jonathan Entwistle faz uma direção segura, sem surpresas, quase morna. O filme tem uma narrativa rápida, não se alonga, e nem se aprofunda nos personagens, a quantidade de clichês do roteiro é absurda. A história é aquela fórmula repetida sem nenhuma novidade. Para um filme que tem a premissa de celebrar lendas, realmente tanto o roteiro como a direção não fizeram jus. É uma pena que o roteiro não abraçou a beleza das artes marciais em si, e que nem se quer o treino para a luta final conseguiu passar emoção. É como se tudo estivesse pronto, e não precisasse ir além do óbvio. Foi uma mistura de direção óbvia, com um roteiro extremamente preguiçoso. Nesse caso, a narrativa rápida foi até um ponto positivo .

“Karate Kid: Lendas”

Promete nos inundar com uma nostalgia lendária, mas nos entrega o mais do mesmo. Um filme morno, com algumas cenas bem coreografadas e um roteiro preguiçoso e pueril. A história parece aqueles típicos filmes de sessão da tarde que todo mundo sabe que o mocinho vai vencer ao final. Mesmo sabendo das possibilidades de clichês, eu esperava muito mais do longa, que prometeu e não cumpriu. Não é um filme ruim, mas falta emoção e novidade.

Nota: ⭐⭐⭐ 

Karate Kid: Lendas

Sinopse: Em “Karate Kid: Lendas”, depois de uma tragédia familiar, o prodígio do kung fu Li Fong (Ben Wang) é forçado a sair de sua casa em Beijing para morar em Nova York com sua mãe. Li sofre para superar o passado enquanto ele tenta se encaixar na nova escola e, apesar de não querer lutar, os problemas parecem que o encontram em todos os lugares. Quando um novo amigo precisa de ajuda, Li entra em uma competição de caratê – mas só suas habilidades não bastam. O professor de kung fu de Li, Sr. Han (Jackie Chan) recruta o Karate Kid original, Daniel LaRusso (Ralph Macchio) para ajudar, e Li aprende uma nova maneira de lutar, unindo os dois estilos em um só para um show definitivo de artes marciais.

Karate Kid: Lendas (Karate Kid: Legends)
Gênero: Comédia, Drama, Artes Marciais
Duração: 1h 34min
Direção: Jonathan Entwistle
Roteiro: Rob Lieber, Anthony Tambakis
Elenco: Ben Wang, Jackie Chan, Ralph Macchio
Data de lançamento: 8 de maio de 2025

About Daya Moraes

Vivi intensamente a cultura pop dos anos 90 e resolvi transformar parte desse saudosismo em conteúdo, que passeiam entre o passado e o presente. Fique a vontade e divirta-se!

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