CRÍTICA | “Maníaco do Parque” foge da narrativa óbvia, e nos mostra um outro lado da história

Um olhar diferente sobre um dos maiores assassinos da história brasileira

Antes de tudo, “Maníaco do Parque” foge da narrativa óbvia, nos mostra um outro lado da história. O enredo do filme é sobre um dos serial killers mais famosos do Brasil: o motoboy  Francisco de Assis Pereira, que na década de 90, foi condenado por agredir 21 mulheres, assassinando 10 delas.

Assim que o longa começou a ser divulgado, as redes sociais estavam em polvorosas com a possibilidade de um filme dando detalhes sobre o assassino, mesmo que na época, ninguém falasse sobre outra coisa. Entendo que o fascínio que temos por este tipo de crime justifica nossa euforia, no entanto, após o lançamento, o sentimento não era mais o mesmo, e vi muitas críticas sobre o filme.

Confesso que isto acabou me frustrando e demorei a assisti-lo, minha ideia nem era escrever sobre ele, mas quando terminei, entendi que tinha que levantar da cama e trazer meu ponto de vista para vocês.  Até porque, pelo menos na minha bolha, sinto que estou indo contra a maré.

A história não contada

O diretor Maurício Eça revelou que a criação da personagem Elena (Giovanna Grigio) foi uma decisão consciente, com o objetivo de oferecer uma perspectiva feminina sobre o caso, e prestar uma homenagem às mulheres que sofreram com as atrocidades do maníaco.

A gente fez uma escolha de como contar essa história, fazendo essa reparação histórica com essas mulheres, essas vítimas, essas sobreviventes dessa história. Para isso, a gente criou essa personagem feminina, que é a Elena, que é a jornalista que está na caça do maníaco.”

E definitivamente, isso fica muito claro no desenrolar do filme, e certamente quem esperava um pouco mais sobre o Maníaco, pode realmente ter ficado frustrado com o resultado, mas desde a primeira cena em que Elena aparece, disputando espaço na redação só com colegas homens, é possível perceber que o foco será a partir do olhar dela, e  não do assassino. É uma escolha ousada, mas é justamente por isto, que o filme nos obriga a ir além do óbvio, e perceber que a narrativa escolhida não é apenas contar a história, mas também nos fazer refletir sobre ela.

Maníaco do Parque Filme

Os protagonistas

Giovanna Grio está muito bem em cena, nos mostra seu papel com sensibilidade e determinação. E interessante a forma com que a personagem cresce dentro da trama. A  mudança de visão de Elena, é fundamental para que possamos entender a história por trás desse olhar feminino. Inclusive, no momento que a personagem entende o seu papel dentro da trama, é quando entendemos como podemos mudar o nosso olhar a respeito da estrutura da sociedade. O choque de realidade e o entendimento da abordagem do filme  vem justamente através dela. Giovanna Grio foi uma grata surpresa para mim.

Silvero Pereira está fenomenal como o assassino Chico Estrela. É absurda as transmutações de personalidade que ele faz entre as cenas, até mesmo, entre diálogos curtos. Ele realmente dá aula de atuação durante todos os momentos que aparece. Consegue nos fazer embarcar entre o homem carismático que tinha esse poder de seduzir as mulheres. O tímido e até estranho, que se torna invisível a sociedade. E o impiedoso e cruel serial killer. O brilhantismo dele em cena, nos faz querer vê-lo mais, saber mais detalhes, e talvez, isso acabou prejudicando esse olhar que o diretor Maurício Eça queria que o grande público visse O empecilho foi o brilhante desempenho de Silvero Pereira.

Maníaco do Parque Filme

O filme Maníaco do Parque tem uma ideia brilhante de contar a história através deste outro olhar. Infelizmente, peca em não abordá-lo de forma mais aprofundada. Falta mais detalhes sobre estas mulheres. Apenas um olhar feminino contando, não me parece ser suficiente. No entanto, a premissa de fazer essa abordagem já torna o filme ousado. Nos apresentar esse olhar fora do óbvio, já ganha muitos pontos.

Diferente da trilogia “A Menina Que Matou Os Pais”, que me soou sem tempero. Aqui, Mauricío Eça da um salto, pois apresenta um filme fluído, com uma perspectiva audaciosa. Onde conta a história que grande parte do público conhece, mas com um olhar diferente, e uma abordagem mais humana e sem apelações.

Maníaco do Parque não engradece o assassino. No entanto, não esconde sua periculosidade, e o quanto manipulou pessoas para permanecer invisível por tanto tempo. Fala da força da mulher em um mundo que não a escuta. E o quanto dar voz para as vítimas, ainda parece ser uma problemática dentro da nossa estrutura.  (Leia outras críticas do site)

NOTA: 4/5

Sinopse: Baseado em fatos reais. Uma jovem jornalista ávida por um artigo que mudará sua carreira entra em rota de colisão com um violento assassino: o Maníaco do Parque.

Maníaco do Parque: a história não contada
Gêneros: Drama, Suspense, Ficção policial
Duração: 1h:43m
Diretor: Mauricio Eça
Roteiro: L.G. Bayão
Elenco: Silvero Pereira, Giovanna Grigio, Xamã, Mel Lisboa, Christian Malheiros, Marco Pigossi, Bruno Garcia

Assista ao trailer:

 

About Daya Moraes

Vivi intensamente a cultura pop dos anos 90 e resolvi transformar parte desse saudosismo em conteúdo, que passeiam entre o passado e o presente. Fique a vontade e divirta-se!

View all posts by Daya Moraes →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *