Maria Callas, estrelado por Angelina Jolie, com direção de Pablo Larraín, estreia dia 16 de janeiro nos cinemas brasileiros
“Maria Callas”, drama biográfico sobre Maria Callas, cantora de ópera greco-americana, que devido sua voz de grande alcance e suas interpretações de profunda análise psicológica, a levaram a ser saudada como “La Divina”, é escrito por Steven Knight, dirigido por Pablo Larraín, e estrelado por Angelina Jolie no papel-título, ao lado de Haluk Bilginer e Valeria Golino.
O filme foi um dos mais aguardados no Festival de Cannes de 2024, e terminou a sessão sendo ovacionado pelos convidados, tendo Jolie aplaudida de pé por cerca de 8 minutos. Obviamente, isso deixa qualquer um ansioso para assisti-lo, e eu não seria diferente. Tentei fugir dos spoilers, e até mesmo da história real da soprano, para conseguir receber da maneira mais limpa possível a narrativa do filme.
Pablo Larraín consegue nos apresentar uma história muito interessante, e por não se aprofundar em alguns detalhes, faz com que ao final do filme o interesse permaneça, tanto que estou aqui escrevendo este texto ao som de Maria Callas cantando Verdi: Don Carlo: “Tu che le vanità” (Hamburg, 1959).
O filme inicia com um tipo de clipe inicial, que mostra parte da trajetória artística de Callas, e acredito que sirva para entendermos a grandiosidade que foi a artista para a sociedade, ao mesmo tempo que temos um close fechado de Jolie dublando a cantora, e eu confesso que começar com este detalhe, para mim, não foi uma boa escolha, afinal de contas, um dos pontos negativos do longa é justamente a dublagem de Jolie nas cenas musicais.
Personagens

São poucos personagens em tela na maior parte do tempo, os que mais ganham destaque são os dois empregados de Maria Callas, sua governanta, Bruna e seu motorista, Ferruccio Mezzadri, respectivamente interpretados por Alba Rohrwacher e Pierfrancesco Favino. Os dois conseguem nos passar aquela delicadeza desconfortável em cena, os empregados que são a única família de uma grande estrela que está em um momento de total fragilidade, mas que não tem ninguém mais do que eles para dividir seus momentos mais vulneráveis. A cumplicidade dos três em cena é tocante, e nos permite mergulhar na solidão da artista.
Haluk Bilginer, tem seu destaque, e aparece muito bem como o confiante Aristotle Onassis. Kodi Smit-McPhhe, que interpreta Mandrax, faz parte da trama central da história, mas tem uma atuação discreta.
Angelina Jolie, sempre nos entrega personagens intensos e apaixonados, ao interpretar Maria Callas não foi diferente, ela traz mesmo com leveza, uma profundidade maravilhosa nas cenas. Não foi indicada ao Globo de Ouro por mera formalidade, está ótima no papel, até porque ela deu seu toque a personalidade da verdadeira cantora. Digamos que em alguns momentos, ela trouxe uma versão diferente de Maria Callas, mas que é maravilhosamente aceitável.

Direção e Produção
Escrito por Steven Knight, e dirigido por Pablo Larraín, o longa traz os últimos dias de Maria Callas, e para este enredo, eles escolheram entre o real e a fantasia, onde através de visões e alucinações, nos mostram sua versão, de como estava a mente da artista próximo ao fim dos seus dias. Em certos momentos, o filme dá voltas sem apresentar muitas nuances, e o que segura nossa atenção é justamente o brilhantismo de Jolie e o visual do filme, que também é um destaque, tanto com seu figurino como com sua fotografia, que são pura beleza. A narrativa do filme poderia, em alguns momentos, ser mais objetiva, e menos melancólica, acho que neste ponto, tivemos um certo excesso.
Pontos negativos e positivos
Não tenho dúvida alguma que o ponto positivo do filme foi a interpretação sensível de Angelina Jolie como Maria Callas, ela está maravilhosa em cena, e a presença dela acaba fazendo com que a melancolia exacerbada do filme seja pouco notada. Não acho que este foi o papel da vida de Jolie, mas com certeza, reforça o quanto ela é merecedora do destaque artístico que tem.
Infelizmente, um dos pontos negativos também é dela. A sua interpretação nos musicais não teve a mesma entrega. A dublagem das músicas cantadas por Callas não convence, e fica visível a falta de técnica. E olhando os vídeos, posteriormente ao filme, da Callas performando, também não achei que os trejeitos dela apareceram em cena. O outro ponto, já mencionado aqui, foi a condução da narrativa. Em alguns momentos fica bastante repetitiva, e vagarosa, e isto só não compromete o filme, devido a presença marcante de Jolie em cena.
Conclusão
Maria Callas mergulha de forma aguda na melancolia da solidão de uma das maiores artistas do gênero. O roteiro navega entre a fantasia de alucinações e visões, sem esmiuçar as polêmicas que envolvem a história da vida pessoal da cantora. Angelina Jolie mostra sensibilidade e profundidade em sua interpretação, salvando o filme que sem ela, embarcaria em um marasmo cansativo sem muito impacto.
Nota: 3/5
Sinopse:
O filme retrata a maior cantora de ópera do mundo, enquanto ela se retira para Paris depois de uma vida glamorosa e tumultuada aos olhos do público. O longa reimagina a lendária artista nos seus últimos dias, enquanto se confronta com a sua identidade e vida.
Maria Callas
Gênero: Musical/Drama
Duração: 2h3m
Diretor: Pablo Larraín
Roteiro: Steven Knight
Data de lançamento: 16 de janeiro de 2025


