Cinebiografia do grandioso Ney Matogrosso, estrelado por Jesuíta Barbosa, estreia nesta quinta, 1º de maio, nos cinemas brasileiros
“Homem com H” filme que conta a história de Ney Matogrosso, já tem um desafio, afinal de contas, quando falamos sobre cinebiografias, a tensão é sempre imensa. O medo delas não fazerem jus ao artista é sempre grande. Obviamente, com o material de divulgação saindo, começamos a entender a grandiosidade do filme, mas acredite, ele é ainda maior do que podíamos imaginar. É animador perceber que este filme não foi feito apenas para os admiradores do artista, mas também para uma nova geração que não conhece, mas precisa conhecer os grandes ídolos do passado.
Personagens

Jesuíta Barbosa dá a vida, de forma brilhante, a Ney Matogrosso. É como voltar no tempo, e reviver todos os melhores momentos do artista em tempo real. É absurdamente prazeroso acompanhar a transformação de Ney Pereira, em Ney Matogrosso. Simplesmente espetacular, e acredito que sim, esta seja a atuação da carreira dele, até este momento. Um artista completo, cheio de sensibilidade, sensualidade e profundidade. Que não só deu vida, como mergulhou de cabeça para viver um ícone, se transformando em um.
Jullio Reis também está ótimo, traz um refresco, uma juventude deliciosa, ao artista que nos deixou tão cedo, mas que marcou a história da música. É interessante a abordagem dada ao personagem, pois conseguimos enxergar Cazuza em falas, trejeitos e ações, mesmo ele não tendo tanto tempo de tela, mas foi o suficiente, e maravilhoso.
Rômulo Braga e Hermila Guedes trazem tensão e a sensibilidade como os pais de Ney. Destaque para Rômulo, que mesmo com a dureza, consegue passar a sensibilidade daquele pai, que ao mesmo tempo que se decepciona pelo filho não ser o que ele quer que seja, também se emociona e o ama, apesar dele ser o oposto do que ele queria que fosse. No longa, é uma relação perturbadoramente sensível, e que em algum momento fica bonita. É complexo e real. Hermila mesmo aparentando ser muito nova para ser mãe de Jesuíta, está ótima. É a sensibilidade em seu olhar que nos traz o aconchego da relação familiar.
O elenco inteiro mergulhou na história, mesmo quem tem falas, ou muito tempo de tela, parece estar banhado na atmosfera grandiosa desta história, e quando isto acontece, todo mundo brilha, talvez não com a mesma intensidade, mas brilha. É delicioso assistir a um filme onde todos parecem uma só parte.

Direção e enredo
Esmir Filho assina o roteiro e a direção do longa, e ao unir estas duas coisas fez de forma brilhante. A narrativa escolhida é fluída, passa por várias fases do artista, não se prolongando muito em nenhuma, mas ao mesmo tempo contando tudo de importante para que a história permaneça instigante. Esmir não só conta a história, ele a bebe com prazer, e nos presenteia com uma obra cheia de detalhes, fotografia e coreografias maravilhosas em tela. Não só respeita a história e o legado de Ney, como não teve pudor de colocá-lo como um homem real, com defeitos e qualidades. Não santificou-o, mas mostrou a todos, de uma forma muito sensível e potente porque o artista é uma lenda viva.

Homem Com H
É uma cinebiografia que respeita a história do artista, que o celebra em vida, mostrando sua trajetória de maneira grandiosa, sensível, ao mesmo tempo que poderosa e potente. E o melhor disso, sem cinismo e hipocrisia. “Homem Com H” é assim como Ney Matogrosso: corajosa, sem pudor, deslumbrante e profunda. Para a nova geração, é uma ótima forma de conhecer, para as gerações que o acompanharam, é uma excelente forma de celebrar o que é um dos maiores artistas que esse país já viu.
Nota:

Sinopse: As diferentes fases da carreira do cantor Ney Matogrosso, desde a sua infância, passando pela adolescência e a vida adulta. Uma jornada através do tempo que acompanha um rapaz de origem humilde que quebra preconceitos e se torna um artista influente.
Homem com H
Gênero: Drama Biográfico
Data de lançamento: 1 de maio de 2025 (Brasil)
Duração: 2h09
Diretor: Esmir Filho
Roteiro: Esmir Filho
Produtora: Paris Entertainment
Baseado em: Ney Matogrosso: A Biografia, de Julio Maria



