“Nosferatu” dirigido por Robert Eggers, e estrelado por Bill Skarsgård e Lily-Rose Depp, estreia nos cinemas em 2 janeiro de 2025
Impressões iniciais
Nosferatu é esperado por muitos amantes do cinema, afinal, é um clássico! E mesmo ansiosa para assisti-lo, não criei expectativas, mas o filme impressiona logo nos primeiros minutos, e isto continua acontecendo até o seu desfecho.
O diretor Robert Eggers disse que fazer o remake do filme de 1922, de F.W. Murnau, é a realização de um sonho de quase toda a sua vida, e isto fica claro ao assistir seu longa. Tudo é feito de maneira intensa e apaixonada.
Enredo
Em Nosferatu de Eggers, o agente imobiliário Thomas Hutter viaja para a Transilvânia para um encontro fatídico com o conde Orlok, um cliente vampiro em potencial. Ellen, a noiva de Hutter, é deixada sob os cuidados de seus amigos Friedrich e Anna Harding em sua ausência. Atormentada por visões e uma crescente sensação de pavor, Ellen se encontra com uma força muito além de seu controle.
Eu conhecia a história de Nosferatu de forma muito superficial, então o roteiro do filme foi me surpreendo a cada momento do seu desenrolar. É interessante como a história é contada. No começo parece um pouco confusa, entre sonhos, delírios e pesadelos, mas ela vai tomando forma, e tudo vai sendo respondido ou compreendido. Talvez em algum breve momento, você se desligue, mas acredite, o filme vai te trazer de volta com sua narrativa extremamente desconfortável e instigante.
Personagens
O vampiro folclórico não é um sedutor suave de casaco elegante, nem um herói cintilante e taciturno. O vampiro popular incorpora a doença, a morte e o sexo de uma forma vil, brutal e implacável. Este é o vampiro que eu queria relembrar para um público moderno. (Robert Eggers )
Bill Skarsgård está irreconhecível como o vampiro Nosferatu (Conde Orlok). É extremamente angustiante acompanhá-lo em cena, posso dizer que na maior parte do tempo, eu fiquei com nojo, mas o interessante disso, é que mesmo neste contexto, ansiamos por mais tempo de tela dele. A atmosfera que o envolve é toda assustadora, gótica. e desconcertante. Meu único ponto negativo é sua voz arrastada e cheia de efeitos. Em alguns momentos me pareceu um certo exagero.
Lily-Rose Depp está completamente entregue ao papel, é prazeroso acompanhar a intensidade das cenas da personagem Ellen Hutler. Ela vai se construindo ao desenrolar da trama, até chegar ao seu ápice de desespero e medo. A atriz está tão bem em cena, que parece que se funde ao filme, é como se ela fosse continuação da fotografia, uma coisa só. Pediram para ela entregar, e ela entregou!

Nicholas Hoult está bem como Thomas Hutter, o marido de Ellen, mas o desenrolar da trama não o favorece, diferentemente do que acontece com Lily-Rose Depp, que cresce, ele perde a força, e se torna apenas mais um meio para chegar ao fim. Posso dizer que ele se apaga, assim que os outros personagens começam a crescer e ganhar seu lugar de destaque no longa.
Willem Dafoe assume o papel de Albin Eberhart Von Franz, professor contratado para curar Ellen enquanto Thomas está fora. Como já estamos acostumados, Dafoe coloca toda sua energia no papel, e transforma algo que poderia muitas vezes passar despercebido, em grandioso.

Direção
Robert Eggers mostrou em tela que estava realizando o sonho de uma vida. Nosferatus tem a intensidade e paixão que comprovam isso. A forma como ele conduz a história vai nos envolvendo e prendendo à trama. É interessante a forma com que ele aborda a sensualidade e o horror ao mesmo tempo. É uma abordagem, no mínimo, desafiadora, que ele soube levar muito bem. O filme visualmente é sufocante, no entanto, isso colabora com a atmosfera de desconforto e escuridão. Até as cenas que tecnicamente são a luz do dia, não trazem o alívio esperado, e isto contribui para mergulharmos por mais de duas horas no horror apresentado.
Pontos Positivos
O filme tem um exagero que cativa e o deixa impactante. Muitas cenas importantes são extremamente desconfortáveis de assistir. A obsessão de Nosferatu é bem desenvolvida, assim como a construção para que as suas ações causem repulsa. O diretor nos entrega um desfecho com um ápice que realmente empolga.
Pontos Negativos
Parte do elenco de apoio, mesmo com um papel importante na construção do enredo, é apagado e desinteressante, alguns chegando ao final quase sem função. Outro ponto, é que mesmo o início do filme sendo a ponte para uma das primeiras reviravoltas, eu confesso que gostaria de ter mais informações sobre a história inicial de Ellen Hutler e Nosferatu, principalmente de quando tudo mudou.
Conclusão
O remake de “Nosferatu” é desconfortavelmente perturbador e inquietante. Dessa forma, ele mergulha profundamente em um horror quase repulsivo, que nos impacta, e surpreendentemente nos conecta com a história. Fui surpreendida positivamente com o longa, e apenas não o recomendo para quem possui Musofobia. No mais, vale muito a pena essa viagem ao mundo assombroso e gótico do vampiro obsessivo.
Nota: 4/5
Sinopse: Nosferatu é um conto gótico sobre a obsessão entre uma jovem apavorada e o aterrorizante vampiro apaixonado por ela que deixa atrás de si um rastro de horror incalculável.
NOSFERATU
Gênero: Terror/Drama
Duração: 2h12m
Direção: Robert Eggers
Roteiro: Robert Eggers
Autores: Bram Stoker, F. W. Murnau
Adaptação de: Nosferatu, Drácula
Distribuição: Focus Features
Data de lançamento: 2 de janeiro de 2025 (Brasil)
