A sequência resgata o charme das irmãs Owens, mas se apoia demais na nostalgia e entrega menos magia do que poderia.
Olá, meus queridos! Como estamos? Quem diria que 28 anos depois teríamos uma sequência de “Practical Magic” (“Da Magia à Sedução”, 1998). Se bem que – comparado a enxurrada de sequências e reboots (muitos deles desnecessários) – esse demorou para se tornar um novo filme. Mas aí vem a grande questão: precisava? Bem, meus amantes do cinema, pegue uma boa xícara de café e vamos trocar uma ideia sobre “Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” (Warner Bros).
Se tem uma coisa que os estúdios sabem que atrai o público é trazer o elenco original. Logo, quem ama ver Sandra Bullock e a Nicole Kidman como as irmãs Owens, ou a Dianne Wiest e Stockard Channing como as tias mais incríveis, é pego em cheio no quesito nostalgia. Sem contar que, de um filme para o outro, o elenco parece ter parado no tempo e ou não serem atingidas pelo fator “envelhecimento” digamos assim. Continuam belíssimas!
Muito além do fator nostalgia, você sente que o elenco está entrosado e se divertindo ao fazer o filme. Isso dá um tom a mais a produção: não soa como se tivessem retornado só pelo pagamento do cachê. Parecem que realmente queriam interpretar novamente as integrantes da família Owens. Já não posso dizer que as filhas de Sally Owens (Bullock), tem a mesma sintonia em tela. O que não deixa a sensação de ser um longa para “passar o bastão” e virar uma franquia. As personagens principais têm um carisma e imprimem uma sintonia excelente, que destoa dos personagens das filhas.

Mas vamos por partes. É um bom filme solo e uma boa sequência. Porém, sinto ele mais contido que o primeiro. Como se a produção tivesse receio de arriscar. No quesito drama se saí muito bem, mas quando é para o mistério da trama se desenvolver… Fica aquele gostinho de “esperava mais”. Sempre quando falam sobre a maldição da família Owens, sobre seus poderes, é como se fosse algo grandioso, inimaginável. Levantam essa questão de como tudo isso surgiu, mas é algo que permanece no mistério: se é falado, é de uma forma muito superficial.
Nesse aspecto achei um pouco preguiçoso. Tem uma mística tão vasta para se trabalhar, para explorar, para no fim, usar desses recursos só para dar saídas facilitadas de roteiro e dar continuidade na narrativa. Existe um sentimento de urgência para a resolução de determinado problema, levantam-se muitas questões – interessantíssimas inclusive – e recebemos respostas rasas. Tudo para cair no “vilão clichê”, com seu discurso expositivo e a clássica batalha do bem contra o mal.
“Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor” vai pelo caminho oposto de “Hocus Pocus 2”: de trazer personagens novos para, talvez, se tornar uma franquia. Porém, também tem uma proposta diferente de “O Diabo Veste Prada 2”. Possui o apego nostálgico, uma história boa, mas parece ter medo de se arriscar. A sensação é de ver novamente o primeiro filme, com uma alteração ali e outra lá. Só.

Isso não quer dizer que seja um filme péssimo. Só achei básico. Sabe o aluno que tem potencial de fazer mais e passa na média? Então, foi a sensação. Queria saber mais sobre a história da família Owens, mergulhar de cabeça nos mistérios, nos perigos, queria vê-los se arriscar de verdade!
Acredito que quem ama o primeiro longa, vai gostar bastante da sequência. Rever as personagens, pegar as referências, se identificar com as personalidades delas. É um bom entretenimento que reafirma que o poder da irmandade é mais forte que a magia. Uma obra que nos faz acreditar que é possível viver uma realidade mágica e nos faz querer ter uma tia Owens para nos contar histórias e ensinar feitiços.
O que eu posso dizer? Convoque sua irmandade para uma sessão de cinema: que tal uma noite do pijama para assistir “Da Magia à Sedução” em um dia e, quando estrear “Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor”, irem juntos assistir? Claro, depois vem me contar como foi a sua experiência. Um abraço. Thi.
Nota: 


Sinopse: Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor mostra as irmãs Sally e Gillian Owens enfrentando novamente a maldição ancestral que condena os homens que elas amam à morte, décadas após os eventos do filme original
Data de lançamento: 10 de setembro
Duração: 2h 10min
Gênero: Fantasia, Romance
Direção: Susanne Bier
Roteiro Akiva Goldsman, Georgia Pritchett
Elenco: Nicole Kidman, Sandra Bullock, Cassie Bradley
Título original: Practical Magic 2


