Uma adaptação que troca uma boa história por uma enxurrada de piadas sem direção.
Ah, meus queridos… Tem vezes que recebemos cabines virtuais de longas que mereciam ser apreciados em uma sala de cinema. Em contrapartida, existem os “livramentos”, quando não temos que nos deslocar até alguma sala. O de hoje não chega ser agressivamente ofensivo que nem a “Boneca Dolly”, porém, fico grato de ter assistido em casa. Então, vem comigo falar sobre “Marsupilami: Confusão à Bordo”, distribuído no Brasil pela Paris Filmes.
Nessa adaptação do desenho, um homem quer salvar seu emprego no zoológico. Ele aceita levar sua família em um cruzeiro e usa a viagem em família como fachada para transportar clandestinamente uma encomenda misteriosa: um ovo de uma criatura rara. Mas, é claro, que as coisas vão sair do controle e o bebê Marsupilami vai colocá-los em grandes confusões e aventuras.
Gente, tanto a sinopse quanto o trailer resumem bem o que esperar: um humor físico, com sequências de piadas – praticamente intermináveis – de todos os estilos, referência a filmes renomados e a suspensão de descrença do início ao fim.
É um filme ruim? Depende do ponto de vista. Tem alguns pontos negativos, que pretendo abordar mais à frente. Mas sabe aquele ruim, de humor duvidoso, que você acaba se entretendo e soltando uma risada aqui e outra lá? O estilo de filme para se distrair em família, ou para assistir em segunda tela, o que não foi o meu caso. Na cabine de imprensa da “Dolly”, fiz questão de assistir enquanto fazia outra coisa. Mas esse realmente parei para assistir.
Você percebe, logo nos minutos iniciais, que não é para se levar a sério. É uma produção voltada ao público infantil: então nada de machucados reais; vai ter uma criança voando de uma gangorra e saindo sem nenhum arranhão; quando alguém bate a cabeça só falta ter onomatopeias estilo dos quadrinhos: “tóim”, “plaft”… Situações que seriam humanamente impossíveis – por exemplo alguém ser eletrocutado em uma piscina e sair ileso – aqui viram palco de uma cena cômica.

É como assistir um “Todo Mundo em Pânico” na versão Kids. Com um humor físico, mas leve, que vai tirar boas risadas das crianças e dos adultos que conseguem entrar na onda. Até gosto de comédias nesse estilo, mas em alguns momentos é como se estivéssemos vendo uma esquete feita para as redes sociais, um meme ou vídeo viral em sequência, um atrás do outro. Não tem uma história coesa. Parece que o diretor pegou absolutamente todas as ideias que recebeu na Caixa de Entrada de uma rede social e transformou em um filme.
Aqui entram os pontos negativos: entendo que a criança gostaria que os pais não se divorciassem. Mas nisso, o filme peca e pende para o lado caricato. Temos os pais rompidos tentando manter uma imagem perfeita na frente do filho. Esse, por sua vez, deseja que eles voltem a ser uma família unida. E, no final, depois de todos os conflitos do filme – situações essas nada a ver com o relacionamento familiar – o roteiro decide, sem desenvolvimento nenhum, que eles vão terminar todos juntos: “uma família ‘feliz'”.
Eu consigo aceitar o humor exagerado… Até mesmo o subtítulo que não faz sentido nenhum, visto que o filme não se passa totalmente no mar. Mas essa forçada de barra e com personagens nada carismáticos… Aí, não dá! Tirando isso até passo um pano de leve nas piadas de conotação adulta que tem vez ou outra. Por sorte, as crianças não vão entender. (Adultos se virem para explicar aos pequenos o motivo de estarem rindo!)
“Marsupilami: Confusão à Bordo” é um bom filme? Não, mas não me ofendeu. Vale a pena o ingresso? Calma lá também né. É uma opção para incluir na lista do streaming. Mas, e você? Tá curioso para assistir? Vem conversar comigo! Um abraço do Thi.
Nota: 
Sinopse: Um entregador aceita um trabalho misterioso vindo da América do Sul, apenas para descobrir que sua carga é um raro filhote de Marsupilami. Ele precisa proteger a criatura pintada dos caçadores enquanto tenta encontrar um lar para ela.
Marsupilami: Confusão a Bordo
Gênero: Comédia/Aventura
Duração: 1h 39m
Diretor: Philippe Lacheau
Data de lançamento: 23 de julho de 2026 (Brasil)



