O final de Stranger Things aposta na nostalgia e encerra a série com a emoção genuína

Stranger Things

O final de Stranger Things me deixou satisfeita! É isso mesmo que leu, pois entrega um encerramento coerente com tudo que a série construiu ao longo de dez anos. É um desfecho inflado, com algumas voltas a mais do que o necessário, contudo isso faz parte do processo de abraçar quem acompanhou essa história desde o início. Especialmente nas duas horas finais, a série escolhe desacelerar, respirar e permitir que o público se despeça com calma.

O encerramento é triste para a trupe, porém também carrega esperança. Existe ali um peso nostálgico muito específico, aquele sentimento que surge quando a infância e a adolescência começam a ficar para trás. Essa transição não aparece de forma brusca, mas surge aos poucos, por meio de gestos simples e simbólicos.

Não foi sobre o fim, foi sobre crescer

Cada personagem vive esse momento à sua maneira, pois todos precisam escolher o que levar consigo para a vida adulta. Alguns guardam lembranças, outros mantêm a crença em algo além do real, e alguns preservam um pedaço da própria inocência. Essa escolha aparece de forma delicada, honesta e emocionalmente verdadeira.

A última rodada de RPG, o choro coletivo e o desabafo de Mike ao guardar o livro tocam no coração da série. A cena se completa na última subida do porão, quando os livros de RPG são finalmente colocados na estante. Esse gesto simples fecha um ciclo. Ali está a essência do que conquistou o público, a imaginação, a amizade, o jogo como refúgio e ponto de encontro. Quando Mike percebe os amigos da irmã mais nova repetindo o mesmo ritual, fica evidente que Stranger Things não fala apenas de monstros ou mundos paralelos, mas de gerações que se reconhecem. É esse conjunto que transformou a série em um fenômeno cultural inspirado nos anos 80, em pleno século XXI.

1ª temporada de Stranger Things | Reprodução Netflix 2016

No fim das contas, pouco importa se os irmãos e diretores Duffer hesitaram em algumas decisões de roteiro. Depois de uma batalha grandiosa, quase excessiva, em um cenário árido que remete a um deserto emocional, a série faz uma escolha acertada. Ela encerra a história exatamente onde conquistou o público, no aconchego da memória afetiva.

Em suma, Stranger Things não busca impacto pelo choque, mas pelo reconhecimento. Para quem se permitiu sentir, foi impossível não se emocionar ao reviver, junto aos personagens, aquele aperto no peito que marca a passagem para a vida adulta.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Sinopse: Na década de 1980, um grupo de amigos se envolve em uma série de eventos sobrenaturais na pacata cidade de Hawkins. Eles enfrentam criaturas monstruosas, agências secretas do governo e se aventuram em dimensões paralelas.

Stranger Things (5ª Temporada)
Gênero: Ficção científica, terror, suspense, drama adolescente e aventura
Primeiro episódio: 15 de julho de 2016 (EUA)
Emissora original: Netflix
Criação: The Duffer Brothers