Documentário “Razões Africanas”, dirigido e roteirizado por Jefferson Mello, explora influência africana no Blues, Rumba e Jongo
O que três ritmos musicais tocados no Brasil, em Cuba e nos Estados Unidos têm em comum? Quais os paralelos e as diferenças entre o jongo, a rumba e o blues, passando por questões históricas, culturais, sociais e pela própria prática musical? Essas e outras questões são abordadas no longa “Razões Africanas”, dirigido por Jefferson Mello, que estreia em salas de cinema de 14 estados do país nesta quinta, dia 21 de novembro.
O documentário acompanha três personagens que simbolizam cada um dos ritmos: a brasileira Lazir Sinval, a cubana Eva Despaigne e o americano Terry ‘Harmonica’ Bean. Eles falam sobre as origens da música que tocam – e dançam, no caso das mulheres – e também sobre as diferentes culturas de que são representantes. Seus depoimentos são entremeados de muita música, além de imagens do cotidiano de cada um e também de comentários de pesquisadores e especialistas, que balizam as narrativas.
Para contar essa história, no entanto, Jefferson Mello não se limita aos três músicos e sua arte. O documentário leva o espectador à África, mais precisamente a Angola, ao Congo e ao Mali, para mostrar as verdadeiras origens de cada um desses estilos, por meio de ritmos musicais tocados na época do comércio de escravizados e que são tradicionais ainda hoje.
Opinião:
“Razões Africanas” é rico em ancestralidade, para quem é fã do gênero, é um prato cheio e saboroso. É importante esse tipo de documento histórico, afinal, sabemos o quanto a história do povo negro foi apagada durante séculos. Este resgate é fundamental para que as próximas gerações conheçam mais das suas origens. É emocionante o amor dos entrevistados pela sua arte e tudo que vem a partir dela. Não são apenas músicas, é cultura, crença, tradições.
Jefferson Mello não só explora a influência da diáspora africana na formação destes três ritmos musicais: blues, rumba e jongo. Como também faz uma reparação histórica valorizando tradições e culturas, através do relato destes 3 personagens que dão ritmo a narrativa. O documentário nos atravessa com falas fortes, contundentes e que nos fazem refletir sobre o racismo e o preconceito que esses gêneros sofrem até hoje, fazendo um paralelo importante em relação ao passado. Ponto positivo. Infelizmente a fluidez acaba sendo um problema durante a exibição das histórias, e a narrativa acaba perdendo um pouco o ritmo, mas nada que para os amantes dos gêneros seja prejudicial, afinal de contas, o documentário tem uma beleza e profundidade que vai emocionar a todos que o assistirem.
Sinopse: O documentário “Razões Africanas” explora a influência da diáspora africana na formação de três importantes ritmos musicais: blues, rumba e jongo. O filme segue a jornada de três personagens em seis países, revelando as origens africanas comuns a esses estilos musicais que se espalharam pelo mundo. O diretor, Jefferson Mello, destaca a importância da reparação histórica e do diálogo intercultural, valorizando tradições e culturas. A narrativa começa em Angola e percorre o caminho dos congoleses, abrangendo Brasil, EUA, Cuba, Congo e Mali, oferecendo um retrato profundo e íntimo desses gêneros musicais e sua identidade cultural.
