“Superman”, de James Gunn, começa com um acerto logo de cara: ter removido o “Legacy” do título. Longe de ser um filme que homenageia o legado do herói mais popular do mundo, também é um filme lançado distante da data atual.
E parafraseando Lois Lane (Rachel Brosnahan): se você é do tipo que faz beicinho e foge quando escuta algo que não gosta, talvez esse seja o momento de fechar a crítica. Preciso comentar que os melhores comentários do filme vêm justamente dela, que parecia uma telespectadora criticando as atitudes dos outros personagens.
O novo filme do Superman promete o início de um novo universo da DC, que começou antes mesmo da finalização do antigo. Digo isso porque o longa se passa na mesma linha do tempo da série “Pacificador”, personagem interpretado por John Cena e que estreou nas telas em 2021, no filme “O Esquadrão Suicida”. Naquela época, a DC estava longe de rebootar seu universo, e James Gunn era apenas mais um diretor do então DCEU. Mas, a partir de 2023, tudo mudou: Gunn se tornou o chefe da DC Studios e o arquiteto do novo universo de filmes de super-heróis.
Quando se trata da DC, Superman promete ser o ponto de partida desse universo renovado, mas ainda não sabemos se cumprirá essa promessa. Convenhamos: manter um plano estratégico em universos compartilhados da DC sempre foi uma corda bamba, principalmente porque a crítica raramente diz o que eles esperam. Escolher James Gunn como chefe de estúdio, diretor, roteirista e, por vezes, “social media” da DC parece ser a garantia de boas críticas. Afinal, ele é um dos queridinhos entre os diretores de filmes de quadrinhos.
Mas vamos ao filme, como disse no início, seria um ótimo longa… se tivesse sido lançado em 2006, no lugar de “Superman: O Retorno”. Hoje, quase 20 anos depois, eu me pergunto se este filme envelhecerá bem. Superman, de James Gunn, não apresenta nada inovador. Traz uma história genérica em que a única (e grata) surpresa é o vilão Lex Luthor (Nicholas Hoult), que rouba a cena, mas acaba sendo esculachado pelo doguinho Krypto — que, sinceramente, não faria falta alguma se não estivesse no filme. Aliás, talvez faria, pois diante de um Superman que, quando não estava apanhando, apenas se defendia, o Supercão acabou servindo como fator surpresa pela sua “inteligência” (quem assistir entenderá).
E por falar em personagens…
Infelizmente, o padrão de roteiro de James Gunn me perde por certos excessos e estereótipos que já são marca registrada de suas produções. Há personagens que precisam constantemente afirmar sua masculinidade e presença com frases dignas de meninos do ensino fundamental, como Guy Gardner/Lanterna Verde (Nathan Fillion). E também há a tentativa de fomentar um efeito manada em torno de personagens como Jimmy Olsen (Skyler Gisondo), que é o típico Jurandir, mas, magicamente, faz com que todas as mulheres do pedaço caiam de amor por ele. Além do óbvio, e que nunca pode faltar, a secretária “gostosona” com roupas apertadas e silicones saltitantes, ganhando mais destaque que Jonathan e Martha Kent. Padrões de personagens que nunca faltam e que poderiam ser dispensáveis nas obras de James Gunn, mas fazem parte do humor questionável do diretor.

Lois Lane exerceu mais o papel de piloto de disco voador do que de repórter investigativa, conseguindo um furo de informação graças à fonte de Jimmy — sim, ele mesmo. Uma pena, pois a personagem, em poucas falas, entregou o que o filme tem de melhor. Talvez eu diga isso porque ela expressa exatamente o que muitos espectadores pensariam em várias cenas.
Me recuso a comentar sobre a “Sala da Justiça” com Mulher-Gavião (Isabela Merced), Senhor Incrível (Edi Gathegi) e Lanterna Verde, que formam uma equipe com o nome provisório de “Gangue da Justiça”. Mas, felizmente e ainda bem que o trio estava no filme. Afinal, quando Superman não estava levando uma surra, ele apenas observava e criticava os métodos dos demais heróis para resolver problemas, enquanto salvava esquilos e procurava seu cachorro. (E não, a parte dos esquilos não é metáfora. É literal.)
Mas é bom ou ruim?
“Superman” é um filme que, sem dúvidas, será elogiado por muitos, pela ânsia de afastar a DC de sua essência dos últimos anos e aproximá-la do tom dos primeiros filmes do Superman. Mas sabe quando recalculamos a rota e alguém grita: “Volta, que não é esse o caminho”? Pois é. Ao tentar se aproximar do passado, o filme acabou se afastando ainda mais do tal legado. Gosto quando criadores modificam elementos, dando um tom original a histórias já conhecidas. Mas mudar as intenções e os motivos pelos quais Jor-El (Bradley Cooper) e Lara (Angela Sarafyan) enviaram Kal-El para a Terra — flertando com uma narrativa semelhante à de Omni-Man, de Invencível — foi demais.
Passei o filme acreditando que aquilo era uma jogada manipuladora de Lex, mas não: ao final fica claro que a mensagem sobre Kal-El dominar a Terra, formar um harém, casar com quantas mulheres quisesse e distribuir seus genes é canônica nesse universo. Mais um exemplo de detalhes no texto de Gunn que poderiam ser removidos, mas foram inseridos sem necessidade. Talvez, pelo anseio de criar algo original em seu roteiro para evidenciar que a bondade do Superman vem apenas da criação de Jonathan (Pruitt Taylor Vince) e Martha Kent (Neva Howell).
Superman, de James Gunn, tenta e se esforça, mas acaba escorregando e caindo na mesmice de suas últimas produções. O filme transforma uma história solo de herói em uma produção de equipe desconexa e sem uma introdução realmente impactante para um novo universo. Peca por não ousar e soa como uma faixa musical esquecida no meio de um álbum de um artista que já foi TOP 1.
Observação: O filme possui duas cenas pós créditos, mas se a vontade de ir ao banheiro for maior, não se segure. A introdução do próximo capítulo é apresentada ao final do filme, antes das letras subirem. E obviamente, com os excessos estereotipados que James Gunn costuma ter.
Nota: 

Sinopse: Superman embarca em uma jornada para reconciliar sua herança kryptoniana com sua criação humana.

Superman
Gênero: Ação/Ficção científica
Duração: 2h09m
Data de lançamento: 10 de julho de 2025 (Brasil)
Diretor: James Gunn
Roteiro: James Gunn
