“A Miss” e os limites da projeção dos sonhos nos filhos

Iêda (Helga Nemetik) deseja que a filha Martha (Maitê Padilha) siga a tradição da família e vença um concurso de beleza. Mas a jovem não parece muito animada com a ideia.

Uma comédia que vai além do riso ao tratar de identidade, frustração e relações familiares.

Olá, meus queridos! Como estão? Ainda em ritmo de férias, ou buscando algo interessante e divertido para assistir? Bem, se seu intuito é tirar um momento para relaxar e se divertir, pegue sua coroa e garanta o ingresso para “A Miss” (Olhar Filmes). Mais um filme nacional para abrilhantar a passarela dos cinemas. Bora conversar sobre? Vem comigo!

Nessa história vamos conhecer a mãe Iêda (Helga Nemetik), ex-vencedora de concurso de beleza na juventude. Ela deseja que sua filha, Martha (Maitê Padilha), siga a tradição da família e vença um concurso de beleza. E aí que começam os dilemas, pois Martha não tem nenhum interesse nisso. Por outro lado, seu irmão, Alan (Pedro David), parece ter mais interesse e talento para reivindicar a faixa e a coroa.

Não é novidade nenhuma que, desde o início da minha trajetória em cabines de imprensa, virei fã das produções audiovisuais do nosso Brasil. De julho de 2025 pra cá, foram diversos filmes, algumas séries, curtas, que só comprovam a qualidade dos produtos nacionais. E se você ainda duvida, dá uma conferida nas outras conversas que tivemos e depois me diz o que acha.

Em “A Miss”, temos um outro exemplo de que comédia pode ser feita de uma forma leve. Sem necessidade de humor apelativo e cair nos estereótipos de sempre: família barraqueira, homens que só pensam em futebol, mulheres sexualizadas fazendo papel de bobinha, carnaval e etc. Você tem um humor caricato, mas na medida certa. Um filme gostoso de assistir, leve, divertido e que consegue trazer uma reflexão.

Algo que também gosto muito é: “o simples bem feito”. Você tem um núcleo familiar, aparentemente simples e comum, que consegue desenvolver tranquilamente as diversas camadas. A mãe que foi cobrada a infância inteira para seguir um determinado padrão. E que, ao longo do tempo, acaba se perdendo ao querer impor nos filhos as suas vontades, sonhos e desejos. A dupla de irmãos onde uma recebe toda a atenção, mesmo que contra a sua vontade, e o outro é meio deixado de lado.

Você pegar todas essas nuances e traduzir em uma longa de comédia que consiga agradar os mais diversos públicos, é um feito e tanto. E, ainda levantar nos subtextos reflexões relevantes e que não caem no argumento de “militância barata”.

Trazendo um pouco para a realidade: até que ponto os filhos conseguem ser autênticos com a família? O quão saudável, ou não, pode ser impor nos seus filhos o que você quer que eles sejam. No que devem ou não estudar e trabalhar usando o artifício de estarem pagando as contas. Como sem querer ambos os lados vão construindo essa barreira e se isolando.

Grata experiência, com ressalvas

Assistir “A Miss” foi uma grata experiência. Tenho algumas ressalvas quanto algumas questões que poderiam terem sido abordadas e trabalhadas com um outro viés. Mas em geral foi um saldo muito positivo ao subirem os créditos. Então já sabe, se você quer se divertir no cinema, garante seu lugar na sessão de “A Miss”.

De novo gente, vale ressaltar que o primeiro final de semana é sempre muito importante para os filmes nacionais. Isso ajuda a manter o filme em cartaz. Te convido, assim como a nossa equipe, a ser fã das produções brasileiras. Um forte abraço! Thi.

Nota: ⭐⭐⭐

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