A Favorita do Rei, filme francês, da atriz e diretora Maïwenn conta com Johnny Depp no elenco e estreia nesta quinta, 28, nos cinemas brasileiros
O enredo
A Favorita do Rei é um drama singelo que eu estava com poucas expectativas, o filme inicia com uma narrativa para explicar a infância da protagonista, e neste começo, já é notável que a diretora não quis se aprofundar em detalhes, talvez até pela idade indicativa do filme. Tudo fica muito sutil, já mostrando que o desenvolvimento do filme seguirá este padrão.
O longa narra a história de Jeanne Vaubernier, uma jovem de origem humilde, que determinada a sair da sua condição, usa seus encantos. Após topar viver com um dos seus amantes, o conde Du Barry, ele decide apresentá-la ao Rei, pois se beneficia muito dos relacionamentos lucrativos dela, e obviamente acontece o que já é esperado, o Rei se envolve com Jeanne, a ponto de não querer mais ficar sem ela, e decide torná-la sua favorita oficial, causando um escândalo na Corte.
O roteiro é interessante, apesar de corriqueiro, mas a narrativa leve nos prende na história. Infelizmente, os personagens são apresentados de forma muito rasa, e isto compromete o desenrolar da trama. Tudo parece muito rápido e sem paixão. O Rei e a cortesã se apaixonam, mas isso em tela demora a ficar perceptível, pois tudo parece ou muito automático, ou quase infantil. Em alguns momentos, parece que estamos vendo alguma princesa da Disney ser destratada pelas primas más. Faltou profundidade e ousadia.

O ritmo da trama acaba favorecendo a falta desenvolvimento dos personagens, porque apesar do longa ter um elenco vasto, o roteiro simplesmente não justifica a presença de muito deles em tela. O enredo me parece apressado, e demora-se a conectar com a narrativa justamente por isso.
Personagens
Alguns personagens, mesmo com papéis que são importantes dentro da narrativa, tem atuações quase invisíveis, inclusive, até em alguns momentos nos surpreendemos quando surge alguma fala. O Rei, personagem de Johnny Depp, não exige muito esforço do ator, assim como a cortesã vivida pela atriz e diretora do filme Maïwenn. Destaque para La Borde, vivido por Benjamin Lavernhe, que definitivamente nos cativa, e emociona com sua interpretação, é uma das melhores partes do filme.
Direção
A diretora Maïwenn conduz a história de uma maneira bonita, mas ao não se aprofundar nos personagens, torna a narrativa rasa, e nos faz lamentar uma entrega que poderia ter acontecido e não aconteceu. A trama é interessante, mas não é bem desenvolvida, e tudo parece ter sido feito com pressa, ou com uma certa falta de cuidado, mas verdade seja dita, mesmo com todos esses problemas, o filme é cativante, e a história é agradável, apesar de muito superficial.

A Favorita do Rei poderia ter entregado um filme mais profundo e complexo, entretanto, seu roteiro tropeça no simples, e nos entrega quase um conto infantil. com mocinhas e bruxas más. Não é um filme ruim. É leve, e doce, mas poderia ter ousado e nos apresentado algo muito mais impactante e memorável.
Nota: 3/5
Sinopse: Jeanne Vaubernier, uma jovem de origem humilde, está determinada a sair da sua condição, usando seus encantos. Seu amante, o conde Du Barry, que se beneficia muito dos relacionamentos lucrativos de Jeanne, decide apresentá-la ao Rei. Com a ajuda do influente duque de Richelieu, ele organiza o encontro. Contra todas as expectativas, Luís XV e Jeanne se apaixonam intensamente. Com a companhia da cortesã, o Rei redescobre o prazer de viver, a tal ponto que não consegue mais ficar sem ela e decide torná-la sua favorita oficial. Isso causa um escândalo, pois ninguém quer uma garota “da rua” na Corte.
A FAVORITA DO REI
França | 2023 | 117 min. | Drama – Biografia | 14 anos
Título Original: Jeanne du Barry
Direção: Maïwenn
Roteiro: Maïwenn, Teddy Lussi-Modeste, Nicolas Livecchi
Elenco: Maïwenn, Johnny Depp, Stanislas Stanic, Benjamin Lavernhe, Pierre Richard, Robin Renucci, Marianne Basler, Caroline Chaniolleau, Melvil Poupaud
Distribuição: Mares Filmes | Alpha Filmes
