O tenso e sufocante “Abraço de Mãe” passou pela programação do Festival do Rio e sua estreia acontece dia 23 de outubro, o catálogo da Netflix
“Abraço de Mãe” se passa durante a enchente de 1996, que devastou a cidade do Rio de Janeiro, e serve de pano de fundo para o terror psicológico que a personagem Ana (interpretada pela atriz Marjorie Estiano), enfrenta enquanto luta para sobreviver.
Fico sempre muito animada quando o cinema nacional ousa em suas histórias. “Abraço de Mãe” surpreende, pois é um terror que realmente nos faz refletir em inúmeras camadas, em certos momentos nos pegamos questionando traumas e as consequências deles para o desenrolar da trama. Definitivamente é um terror psicológico.
Narrativa
A narrativa é lenta, mas a atmosfera densa e cheia de dúvidas torna o desenrolar da trama bastante angustiante, não sabemos exatamente o que está acontecendo, mas o diretor nos entrega muitas possibilidades de análise do enredo, e isso nos entretêm, ao mesmo tempo que nos sufoca. A ansiedade de entendimento além do que está sempre apresentado é algo definitivamente desconfortável, de uma maneira positiva.

Personagens
O enredo não me parece fazer forças para se aprofundar na história dos personagens, entretanto, fica claro que isto é intencional, e as poucas informações nos deixam ainda mais envolvidos com o que de fato acontece, ou ansiamos ver acontecer.
Destaque absoluto para a atriz Marjorie Estiano que da vida à bombeira Ana. É impressionante que desde os primeiros minutos dela em cena é possível perceber o desconforto da personagem consigo mesma, é notável o quanto vamos conseguindo entender as referências que o diretor vai deixando ao desenrolar da narrativa, e o quanto o fantástico vai criando sentido a cada momento que a história vai se esclarecendo.
A atriz mirim, Mel Nunes, que faz a pequena Ana, também está impecável em cena, e colabora muito com a evolução da personagem realizada por Marjorie Estiano.
Todo o elenco está na mesma atmosfera, e entregam boas performances, no entanto, senti falta de um melhor desenvolvimento em torno deles, às vezes, temos a impressão que o filme se torna quase um personagem só, e mesmo que tenha sido proposital, acredito que poderiam ter caminhado por um lado mais elaborado.

Temática
O longa explora temas como traumas, pânico, religião e cura, e proporciona uma experiência densa e sufocante com seu terror psicológico intenso, que se mistura entre o real e o fantástico. O ponto alto do filme é que conforme os eventos se desenrolam, não só a personagem, mas nós, percebemos que o verdadeiro horror pode ir muito além do que imaginávamos.
Abraço de Mãe
Tenso e sufocante, essas são as palavras que definem minha experiência assistindo “Abraço de Mãe”. Um filme que mostra o quanto nossa “criança” ferida precisa tratar seus traumas e angústias, para que as consequências disso não interferiam na vida adulta. Lidar com a dor e o desemparo não é algo fácil, e abordar este tema com um filme de terror, foi simplesmente audacioso.
O diretor Cristian Ponce fez um ótimo trabalho quando trouxe uma temática tão profunda, mesclando o realismo e o fantástico com um elenco que entregou, em uma trama envolvente que nos desafia e nos faz sair do óbvio.
NOTA: 4/5
Sinopse: Em fevereiro de 1996, durante um dos temporais mais impiedosos que atingiu a cidade do Rio de Janeiro, uma equipe dos bombeiros recebe um chamado para evacuar um asilo com risco de desabamento. Ana, uma jovem bombeira afastada após sofrer um ataque de pânico em uma operação, se vê retornando à sua antiga equipe de resgate. Ao chegarem ao local, os bombeiros descobrem que os misteriosos moradores do asilo têm outros planos com a chegada da chuva. Ana terá que enfrentar seu próprio passado para sobreviver e salvar os outros antes que seja tarde demais.
Titulo: Abraço de Mãe (A Mother’s Embrace)
Data de Lançamento: 23 de outubro (Netflix)
Diretor: Cristian Ponce
Roteiro: Cristian Ponce, André Pereira e Gabriela Capello
Argumento: André Pereira, Christiano Menezes, César Bravo e Gabriela Capello
Elenco: Marjorie Estiano, Chandelly Braz, Javier Drolas, Reynaldo Machado, Val Perré, Angela Rabello, Helena Varvaki, Rafael Canedo, Maria Volpe, Mel Nunes, Thelmo Fernandes






