Queer, drama dirigido por Luca Guadagnino, e estrelado por Drew Starkey e Daniel Craig, estreia no dia 12 de dezembro nos cinemas do país
Impressão inicial
Queer inicialmente não me chamou muito atenção, até começarem as divulgações sobre o filme, aí minha curiosidade aumentou, principalmente com as entrevistas dos atores sobre algumas cenas específicas. Posso dizer que a expectativa estava alta, mesmo que ainda não muito clara com o que assistiria. Confesso que nos primeiros minutos do longa, fiquei encantada com as coreografias cenográficas, elas dão uma atmosfera quase musical. Inclusive, a cena ao som de “Come As You Are” do Nirvana, está simplesmente maravilhosa!
O filme é baseado na novela homônima de William S. Burroughs, um dos principais autores do movimento literário beat, publicada em 1985, que se passa na Cidade do México na década de 1950 e conta a história de William Lee, alter-ego do escritor. No filme, Lee (Daniel Craig) um homossexual assumido, que além de lidar com seu vício em drogas, se apaixona por um homem mais jovem (Drew Starkey) que não se identifica como gay.
Os protagonistas
Os dois personagens são bem desenvolvidos durante a trama, aos poucos, é possível entender a personalidade de cada um, e como isso contribui com a história que está sendo contada. Os atores Craig e Starkey tem uma ótima química em cena, o que deixa as cenas íntimas muito mais realistas e intensas.

William Lee é um escritor gay solitário que tenta lidar com seu vazio e o vício em drogas. As cenas iniciais já dão um tom do quanto a boemia vivida por ele, é apenas para ocultar o buraco de solidão que possui, e isto ganha uma nova forma quando ele conhece Eugene Allerton, um jovem educado que lhe dá atenção mesmo não se declarando gay. Inclusive, essa é a dúvida que se arrasta durante toda a trama, pois é evidente o quanto o escritor começa ter sentimentos mais profundos pelo jovem, que mesmo lhe fazendo companhia e até se envolvendo sexualmente, não compartilha dos mesmos sentimentos. Essa dicotomia entre os dois fica bem interessante ao desenrolar da história, é uma dinâmica leve e com uma narrativa, mesmo que às vezes confusa, fluída.
Direção
O diretor Luca Guadagnino nos apresenta praticamente dois filmes em um. Na primeira parte, temos algo mais realista, onde somos apresentados a vida do escritor e tudo que o rodeia, o encontro com o jovem no qual se apaixona e como isso transforma sua visão das coisas. A segunda parte, onde o escritor convence o jovem Eugene a acompanhá-lo numa viagem pela América do Sul em busca de uma planta alucinógena, a ayahuasca, fica em alguns momentos sem sentido, é um caminho para se chegar a algum lugar, que me pareceu mais desnecessário do que preciso.
Nesta parte, Luca nos entrega um encontro com o fantástico, onde o vício das drogas fica mais evidente, e transforma a atmosfera em algo mais psicodélico. Nessa viagem de sonho, pesadelo, surtos e realidade, a narrativa perde um pouco o fôlego, e acaba sendo um ponto complicado. No entanto, volto a destacar a coreografia do filme, que agora na reta final tem um papel fundamental. Muito bonito e comovente.

Opinião
Queer aborda o amor com muita sensibilidade e de forma bastante intensa. É sobre solidão, carência, perda, e como de alguma forma tentamos lidar com isso, nem sempre tomando as melhores decisões. É um filme triste. O final nos faz refletir sobre o poder de nossas escolhas e como elas contribuem quando chegamos ao fim das nossas vidas.
NOTA: 3/5
Sinopse: Queer é um filme de drama e romance histórico de 2024 dirigido por Luca Guadagnino a partir de um roteiro de Justin Kuritzkes. Baseado no romance de 1985 de William S. Burroughs. Ambientado na Cidade do México dos anos 1940, o filme acompanha um expatriado americano rejeitado que se apaixona por um homem mais jovem.
QUEER
Gênero: Romance/Drama
Duração: 2h15m
Diretor: Luca Guadagnino
Roteiro: Justin Kuritzkes
Autor: William S. Burroughs
Elenco: Drew Starkey, Daniel Craig, Omar Apollo, Jason Schwartzman
Data de lançamento: 12 de dezembro de 2024 (Brasil)
