CRÍTICA | Herege, um terror instigante que deixa muitos questionamentos

Herege, dos diretores Scott Beck e  Bryan Woods estreia no dia 20 de novembro nos cinemas brasileiros

O filme

“Herege” antes mesmo do seu lançamento, já traz uma ansiedade nos amantes do terror. Por trazer um tema, na sua maioria, polêmico: a religião, ou a critica à ela. Confesso que não estava ansiosa para assisti-lo, minha expectativa era bem razoável, mas logo no início, fui surpreendida por uma atmosfera densa e bastante desconfortável que me interessou.

O filme  se trata de duas jovens missionárias que tentam converter um homem, entretanto a situação se revela muito mais perigosa do que elas poderiam imaginar. Em base a esta sinopse, não se imagina muita coisa, mas a narrativa do filme é bem interessante em seu começo. Vamos conhecendo um pouco das duas missionárias, a irmã Barnes e a irmã Paxton, vividas respectivamente por Sophie Thatcher e Chloe East, e já neste começo é possível perceber algumas diferenças entre as duas, e isso será fundamental para as suas sobrevivências, ou não.

Herege
Herege, Missionárias

O enredo é interessante. Nos cria muitas expectativas ao longo da trama. Infelizmente, é justamente ela que acaba em alguns momentos perdendo a clareza, ficando confusa, e com explicações cansativas. O desconforto e a tensão do encontro das missionárias com Mr. Reed, vivido por Hugh Grant, vai perdendo a força ao longa do filme, e todo aquele sentimento de medo e tensão não se sustenta, o ritmo se torna lento, e o que sobra é apenas uma crítica a religião sem muita emoção. Faltou ousadia no roteiro. O fato de podermos levá-lo para vários contextos, acaba deixando o filme sem propósito, e o que deveria ser um questionamento interessante, vira um amontado de dúvidas e até mesmo alguns buracos.

Elenco

O elenco apresenta boas atuações, no entanto, a diferença entre as missionárias em alguns momentos é bem gritante. Sophie Thatcher está entregue ao papel desde as primeiras cenas,  Chloe East vai se desenvolvendo ao desenrolar da trama, e em alguns momentos parece que falta emoção. Hugh Grant está muito bem como o fanático Mr. Reed, mas em certas situações, acho que peca pela sobriedade. Talvez eu esperava um pouco mais de caos neste filme, afinal de contas, estamos falando de religiosidade.

Herege
Herege

Os diretores Scott Beck e  Bryan Woods conduziram a história de forma lenta, faltou emoção na narrativa, chega um ponto que a história não evolui, e se agarra apenas nos cenários, e na tensão do que não acontece. É um amontado de espera e expectativa.  O início do filme prometeu uma tensão que não se manteve, e deixou o longa quase cansativo, segurado pela ideia do que se espera, e não do que se recebe em tela.

Conclusão

Herege tem a premissa de um debate filosófico sobre religião, tem a intenção de nos fazer questionar a fé cega, entretanto não desafia, se mantém morno após a revelação da intenção do vilão.  Não vemos a fé ser testada de forma que justificasse toda aquela situação.  O final foi preguiçoso, e as motivações são mal explicadas e confusas. O filme começa bem, mas derrapa no comum, e na falta de coragem.

Nota: 3/5

Sinopse: Duas jovens missionárias tentam converter um homem, mas a situação se revela muito mais perigosa do que elas poderiam imaginar.

Herege (Título original: Heretic)
Gênero: Terror/Suspense
Duração: 1h50m
Diretor: Scott Beck, Bryan Woods
Roteiro: Scott Beck, Bryan Woods
Elenco: Hugh Grant, Sophie Thatcher, Chloe East
Data de lançamento: 20 de novembro de 2024 (Brasil)