Labirinto dos Garotos Perdidos: uma fábula urbana sobre solidão, afeto e pertencimento

Filme nacional transforma uma trama de suspense em uma reflexão sobre vulnerabilidade e rede de apoio

Nessa fábula urbana, um garoto interiorano está em busca de um amor na cidade grande. O que ele não esperava era que havia um assassino “caçando” garotos da idade dele

Hello, meus queridos! Tudo bem do lado daí? Hoje nosso papo de cinema vai ter um toque especial porque temos o nosso querido Cinema Nacional! E no mês do Orgulho LGBTQIAPN+ chega às telonas: “Labirinto dos Garotos Perdidos” (Filmicca, 2025). Um longa de Matheus Marchetti que traz, em formato de uma fábula urbana sedutora e mortal, uma história que conversa profundamente com a comunidade. Então, pega sua bebida favorita e vem comigo!

“Labirinto dos Garotos Perdidos” acompanha um garoto interiorano em busca de um amor na cidade grande. Narrando uma odisseia sensual, com uma pitada de cenas macabras e, até mesmo, hilárias sobre encontros amorosos. O que ele não esperava era que havia um assassino “caçando” garotos da idade dele, que ficam à solta pela metrópole.

Queridos, esse longa é uma grande reflexão sobre como é importante termos uma rede de apoio, principalmente se você está se conhecendo e entendendo como você se encaixa no mundo. Seja você uma pessoa cis hétero ou não. No caso da história, ela ocorre pelo prisma de uma pessoa homossexual.

Já é a segunda vez que assisto “Labirinto dos Garotos Perdidos”. Conheci o longa no Fantaspoa (Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre). Foi uma grata surpresa ter o contato com essa obra antes de entrar no circuito de exibições. E, agora, reassistindo na cabine de imprensa, consigo tirar algumas outras reflexões, além das minhas primeiras impressões no festival.

É uma obra que fala diretamente com a comunidade LGBTQIAPN+, mas acredito que cada um poderá tirar alguma reflexão para si. Seja você da sigla ou não. E aqui eu volto: como é importante termos uma rede de apoio saudável. Seja familiares ou amigos próximos. Muito provavelmente isso não evitaria algumas decisões do personagem. No entanto, ele teria alguém para conversar e se aconselhar.

Isso não quer dizer que o protagonista não tenha com quem falar.

Ele fala com alguém sobre seu primeiro encontro. Porém, dá para perceber que não é um contato tão profundo, sabe? É algo mais superficial, do tipo: “ah, ele era tão querido e atencioso comigo, mas quando nos encontramos pessoalmente parece outra pessoa”. E ele recebe uma resposta mais fria: “esse é o golpe mais clássico para pegar trouxa. Também você fica mendigando carinho online”. Não me surpreendem as atitudes que ele tenha tomado, se essa era a única pessoa com quem ele tinha para contar.

Note que não estou tirando a culpa do personagem pelos seus atos. Cada um responde por si. Mas, entenda: se um jovem que está se descobrindo, entendendo seus sentimentos, tendo seus primeiros contatos afetivos, vai desabafar com uma amiga e tem essa recepção… Como você se sentiria? Aliás, aqui percebemos outro ponto: a frustração leva ele a conversar com uma amiga, não um familiar. A família, que deveria ser a base de ensinamento e acolhimento por muitas vezes não existe, principalmente para pessoas LGBTQIAPN+. Não é o ideal, mas – infelizmente – é a realidade de muitos.

Muito além de cenas eróticas e encontros casuais, esse filme me fez refletir o quanto as pessoas são más consigo mesmas. O quanto ter alguém com quem possa conversar, pedir ajuda, se aconselhar é importante. De novo: não estou terceirizando a culpa das pessoas pelos seus atos. Tem pessoas que têm base, têm conhecimento e, mesmo assim, tomam atitudes erradas. Meu ponto são pessoas que se entendem como pessoas LGBT, independente da idade, e tomam atitudes que, sem querer, acabam se ferindo. É como ver uma pessoa de 30 anos aprendendo a caminhar.

Felizmente, aos poucos, estamos construindo uma nova realidade. Porém, convenhamos, conversar sobre sexo ainda é um grande tabu entre as pessoas. É como se estivéssemos andando em um grande campo minado. Em um mundo em que é extremamente “fácil” se relacionar, parece que é cada vez mais complicado conseguir se abrir. O medo do julgamento alheio por dizer: “Nossa, fulano eu acho que sinto atração por pessoas X” faz com que fiquemos cada vez mais isolados.

Conseguem me entender? Em uma realidade que nas redes sociais é tudo muito lindo, muito feliz. Que é fácil se “conectar” com uma diversidade de pessoas. Os bastidores de tudo isso, muitas vezes, não condizem com essa beleza toda. É aí que o longa me fez refletir: ter uma rede de apoio saudável é extremamente necessário. Para qualquer um. Vai evitar que a gente dê um passo nesse campo minado e acabe se machucando? Não. Mas, ao menos, teremos com quem poder falar abertamente sem julgamentos.

“Labirinto dos Garotos Perdidos” vai muito além de encontros sexuais de um garoto do interior na cidade. Nos faz refletir sobre como enxergamos e levamos nossas vidas. E sobre os riscos que esses encontros podem trazer quando não há cuidado e respeito por nós mesmos. Infelizmente, a vida real não é um conto de fadas, muitas vezes o “príncipe encantado” não surge no primeiro encontro. Mas precisamos nos cuidar e nos preservar para não perder o bem maior que nós temos: a nossa vida.

Fico muito feliz de ver um filme que conheci em um festival ganhando espaço no circuito de cinema. O que vale ressaltar essas obras merecem um carinho especial, principalmente no primeiro final de semana para que se mantenha em cartaz. É um longa visceral que me fez refletir bastante. Te convido a assistir, com o coração aberto e tentando se conectar com o que o personagem está vivendo. E claro, quero saber sua opinião depois. Um abraço, gente! Thi.

Nota: ⭐⭐⭐

Sinopse: Labirinto dos Garotos Perdidos acompanha um garoto interiorano em busca de um amor na cidade grande. Narrando uma odisseia sensual, com uma pitada de cenas macabras e até mesmo hilárias sobre encontros amorosos.

Labirinto dos Garotos Perdidos
Gênero: Terror
Duração: 1h 22m
Dirigido: Matheus Marchetti