Em “Natal Amargo”, acompanhamos duas histórias: a publicitária Elsa, que perdeu a mãe durante as festas de Natal, e Raúl, um diretor e roteirista com dificuldades de separar a realidade da ficção
Como estão nossos amantes da sétima arte? Se você curte aquele filme que te deixa sem reação quando sobem os créditos, pega um café e vamos conversar sobre: “Natal Amargo” (Warner Bros., 2026). Este novo filme de Pedro Almodóvar me deixou perplexo e curioso para conhecer mais sobre sua filmografia. Preparados? Então, vamos nessa!
Em “Natal Amargo”, acompanhamos duas histórias paralelas. De um lado, a publicitária Elsa (Bárbara Lennie), que perdeu a mãe durante as festas de Natal, afoga-se no trabalho e não dá espaço para lidar com o luto. Até que um ataque de pânico severo a obriga a fazer uma pausa e viajar ao lado de sua amiga. O outro ponto de vista da trama acompanha Raúl Durán (Leonardo Sbaraglia), um diretor e roteirista que enfrenta dificuldades em separar a realidade da ficção.
Queridos, sabe quando você já ouviu falar de algo por nome, mas nunca conheceu de fato? Desde o último ano estou passando por um processo de “descobrimento”, digamos assim. Por exemplo, na música: tem diversos artistas nacionais que eu conhecia só de ouvir falar. Mas foi ao adquirir discos que pude conhecer melhor e me apaixonar por suas obras. E hoje foi mais um dia de “descoberta” porque conhecia o nome Almodóvar. Mas com “Natal Amargo”, tive minha primeira experiência com seus filmes. O resultado? Quero conhecer mais dos seus trabalhos.
Como é bom assistir filme sem cartela de capítulos – só queria fazer esse breve comentário. Em alguns filmes até gosto e acho interessante, mas em outros acho preguiçoso. Aqui, temos uma divisão temporal logo de início pra situar o espectador e, em seguida, o diretor deixa os espectadores “andarem” com nossas próprias pernas. Gosto disso, sabe? De deixar o espectador absorver as informações, ter suas próprias deduções. É o tipo de obra que pede sua total atenção.

Sabe quando nos acostumamos com o ritmo acelerado de uma grande parcela dos filmes? Esse vai na contramão, tanto que por vezes eu pensava: “ai, caramba, é agora que vai acontecer algo… Alguém vai sofrer um acidente fatal, ou algum assalto, alguma tragédia”. É um longa que te convida a deixar a ansiedade de lado, deixar celular, redes sociais, se desconectar completamente e viver aquele momento. Nem sempre aquilo que a gente espera é o que realmente precisamos.
Como resultado, temos uma experiência com diversas camadas. Vivemos o drama pelos personagens, nos questionamos se essa seria a melhor decisão ou não. Conseguimos até tirar reflexões para nossas vidas, como será que agiríamos se estivéssemos em determinada posição?
Outro ponto que me deixou bastante intrigado é a abordagem de um determinado tema em uma época e outra. Em 2004, como as pessoas lidavam com uma crise de ansiedade, um ataque de pânico? Hoje, por mais que ainda tenhamos muito a evoluir, já temos acesso a informações, temos como conseguir apoio e auxílio para passarmos por essas situações. Atualmente, não digo que é mais fácil, mas não é tão complexo sabermos quando precisamos de ajuda com o nosso emocional.
Isso me fez lembrar de um momento pessoal, quando estava no meu primeiro emprego. Minha primeira experiência profissional, uma realidade nova. Hoje, quando olho para esse momento entendo que tive um ataque de pânico. Mas o Thiago daquela época não tinha noção de o que eram aqueles sentimentos, que dirá como lidar com eles.
Ver essas situações sendo retratadas em um longa, faz com que o espectador se conecte de alguma forma. Nos faz parar e refletir como éramos vinte anos atrás. O que mudou em nós? No mundo em que vivemos, como lidamos com as situações? Sério, achei sensacional. É o tipo de entretenimento que vai muito além da sala de cinema. Mas também acredito que não vá agradar a todos.
Por mais bela que as obras de arte sejam, nem todos conseguem compreender a sua profundidade. Para alguns vai ser só mais um filme. É só mais um título para avaliar no seu Letterboxd para pagar de cult. É como visitar um local histórico só para ter mais um like em uma foto ou vídeo de rede social. Como se tudo fosse descartável. “Sério, que o filme é só isso?”. Não posso negar que fico triste pelo rumo em que as coisas acabam tomando.

Mas aqueles que conseguirem se conectar com o longa vão sair com o coração quentinho da sessão. Os créditos subiram e fiquei com aquele gostinho de quero mais. Preciso conhecer mais da filmografia de Pedro Almodóvar e, quem sabe, ser arrebatado por outra obra sua.
Queridos, eu amei a experiência de conhecer esse lançamento do diretor. Mas é lógico que também quero saber sua opinião. Você já conhecia o trabalho dele? Quer me indicar algum filme? Conversa comigo no Insta do Dropzando. E se você que nem eu caiu de paraquedas no cinema, me diz quais foram suas percepções? Um forte abraço gente, até nosso próximo encontro. Thi
Nota: 



Sinopse: Natal Amargo é um drama de Pedro Almodóvar que explora o luto e a linha tênue entre realidade e ficção. A trama acompanha Elsa, uma diretora que lida com a perda da mãe fugindo para a ilha de Lanzarote, e Raúl, um roteirista preso na autoficção
Natal Amargo
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 1h51m
Diretor: Pedro Almodóvar
Data de lançamento: 28 de maio (Brasil)



