“O Assassinato do Ator Rafael Miguel”: Analisando a série

Série documental impacta ao revisitar o crime que chocou o Brasil

O caso do assassinato do ator Rafael Miguel e seus pais em 2019 é revisitado, com detalhes do julgamento, investigação e a condenação de Paulo Cupertino a 98 anos por triplo homicídio, motivado pelo namoro do ator com sua filha.

Um crime que parou o país

Em 2019, o Brasil foi abalado pelo brutal assassinato do ator Rafael Miguel, conhecido por seu papel em Chiquititas. O caso envolveu diretamente uma figura pública, mas também trouxe consequências devastadoras para as sobreviventes. Especialmente em uma era em que a internet espalhou rumores e julgamentos cruéis.

A produção documental “O Assassinato do Ator Rafael Miguel”, disponível na HBO Max, busca recontar esse episódio sob uma nova perspectiva. Dividida em três episódios, a série não apenas revive a tragédia, como também expõe as feridas abertas por ela.

A narrativa da série

A obra se destaca por dar voz e protagonismo a Isabela Tibcherani Matias, filha do assassino Paulo Cupertino e namorada de Rafael na época do crime. O olhar sensível da produção ressalta não apenas a dor da perda, mas também a violência psicológica que Isabela enfrentou vivendo sob o controle do pai.

Outro acerto é trazer a voz do próprio Rafael Miguel por meio de seu podcast, o que aproxima o público da vítima e reforça sua presença na narrativa. Os envolvidos são bem apresentados, deixando claro o papel de cada um e como os acontecimentos culminaram na tragédia.

Justiça e desconforto

Paulo Cupertino permaneceu foragido até 2022, quando foi preso. Em maio de 2025, foi condenado a 98 anos de prisão. Sua aparição na série é desconfortável e reforça sua postura manipuladora e fria, revelando-o como uma ameaça evidente à sociedade.

Apesar da demora, a justiça cumpriu seu papel. E a produção não deixa de mostrar como a violência contra mulheres foi ignorada ou invisibilizada, inclusive quando as sobreviventes foram hostilizadas pela opinião pública.

Mais que um true crime

Segundo o diretor Mauricio Dias: “Ela chegou a viver em cárcere privado por meses com o pai. Queremos que o público entenda quem é essa menina que nunca quis ser famosa, nunca quis estar nas redes, mas foi arrastada para esse lugar.”

A série não é apenas um relato sobre o crime. Ela denuncia como a sociedade lida de forma cruel com vítimas de alta exposição midiática e traz à tona a necessidade de acolhimento.

Vale a pena assistir?

São três episódios tensos, impactantes e bem construídos, que mostram a persistência da polícia na captura de Cupertino e esclarecem dúvidas que ficaram no ar para quem não acompanhou o caso em detalhes.

“O Assassinato do Ator Rafael Miguel” é mais do que uma série documental: é um lembrete doloroso de como tragédias reais expõem a fragilidade das vítimas diante do olhar público.

Fica aqui a indicação: vale muito a pena assistir