CRÍTICA | “O Bom Professor”, baseado em uma história real, se afoga nas angústias do seu diretor

Drama francês do diretor e roteirista Teddy Lussi-Modeste e estrelado por François Civil estreia nos cinemas brasileiros no dia 20 de março, com distribuição da Mares Filmes

Na trama de “O Bom Professor”, Julien é um professor jovem e dedicado, que tenta criar vínculo com sua turma, dando atenção especial a alunos que se destacam, incluindo a tímida Leslie, mas esse tratamento diferenciado é mal interpretado por alguns alunos, que começam a colocar suspeitas em suas intenções.

O professor é acusado de assédio, e o boato se espalha rapidamente, levando uma situação muito complicada entre escola, professores e alunos. Principalmente quando se descobre que Julien é gay. Tanto o professor quanto a aluna se veem presos em uma situação delicada.

Personagens

François Civil está muito bem na pele do professor Julien, mesmo que seja uma personagem sem muito aprofundamento, ele traz camadas muito interessantes a sua atuação, pois é através de suas emoções que vivemos e compreendemos a narrativa, que em muitas vezes fica em segundo plano.

" O Bom Professor" (Pas des Vagues)

Mallory Wanecque, dá vida a personagem Océane, e definitivamente é através dela que fazemos tanto questionamentos sobre a história. Sua atuação é sutil, mas traz acidez nos momentos certos. Assim como Toscane Duquesne, que entrega uma boa atuação na pele da tímida Leslie. É interessante o paradoxo que vivemos através das crianças, que no filme estão longe de serem anjos inocentes.

O filme não se prende ao restante dos personagens, muitos deles mesmo que com um papel importante para a construção da narrativa, são esquecidos e pouco utilizados, neste ponto o enredo me pareceu bastante despreocupado.

Enredo

A escolha da narrativa me pareceu o ponto mais delicado do filme, ao não se aprofundar no enredo, temos um roteiro que depende apenas das emoções dos personagens para que possamos entender de fato o que está acontecendo.  A história traz questionamentos interessantes, mas que vamos entendendo na base da sugestão. Entendo a escolha pelo sutil, mas quando é em demasia, corre-se o risco de parecer uma história rasa,  que foi infelizmente o que pareceu.  E definitivamente o longa tinha um potencial bem maior.

O Bom Professor" (Pas des Vagues)

Direção

Teddy Lussi-Modeste conta uma história  vivida por ele neste filme, e talvez justamente por isto, baseou as emoções com principal foco de sua narrativa, entretanto, isso prejudica o andamento do longa, que parece não se aprofundar em nenhuma das questões que poderiam ter sido abordadas de maneira a potencializar o que estamos vendo. Se nos basearmos apenas nas emoções do professor, sim, temos uma atmosfera de angústia e impotência, mas dentro de um contexto cinematográfico, essa falta de aprofundamento das relações e dos acontecimentos atrapalha.

Conclusão

“O Bom Professor” é um bom filme,  com boa atuação de seu protagonista, e com uma história que tem uma atmosfera angustiante que nos prende, entretanto, peca na sutileza que nos entrega esse enredo, não se aprofundando em vários assuntos que são abordados.  A premissa de ser baseado em uma história real, não pode ser justificativa para a falta de profundidade do roteiro.

Pôster " O Bom Professor" (Pas des Vagues)

Nota: ⭐⭐⭐

Sinopse: Julien é professor em um colégio. Jovem e dedicado, ele tenta criar um vínculo com sua turma, dando atenção especial a alguns alunos, incluindo a tímida Leslie. Esse tratamento diferenciado é mal interpretado por alguns alunos, que começam a suspeitar das intenções do professor. Julien é acusado de assédio. O boato se espalha rapidamente, e tanto o professor quanto a aluna se veem presos em uma situação delicada. Mas diante de uma escola que corre o risco de pegar fogo, só há uma palavra de ordem: sem tumulto…

O Bom Professor (Pas des Vagues)
França | 2024
Gênero: Drama
Duração: 1h31m
Direção: Teddy Lussi-Modeste
Roteiro: Teddy Lussi-Modeste, Audrey Diwan
Elenco: François Civil, Shaïn Boumedine, Toscane Duquesne
Distribuição: Mares Filmes

About Daya Moraes

Vivi intensamente a cultura pop dos anos 90 e resolvi transformar parte desse saudosismo em conteúdo, que passeiam entre o passado e o presente. Fique a vontade e divirta-se!

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